Preços de apartamentos em Belo Horizonte sobem

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O mercado espera um aumento maior nos preços de apartamentos em Belo Horizonte por causa do novo Plano Diretor da cidade. Foto: Si duscon-MG/Divulgação
O mercado espera um aumento maior nos preços de apartamentos em Belo Horizonte por causa do novo Plano Diretor da cidade. Foto: Si duscon-MG/Divulgação
Menos oferta provoca aumento no preço de apartamentos em Belo Horizonte e Nova Lima

Os preços de apartamentos em Belo Horizonte e Nova Lima aumentaram 4,50% de janeiro a abril/19, percentual superior ao observado pela inflação medida pelo IPCA/IBGE, que foi de 2,09% neste período. O aumento no preço é justificado pelas vendas superiores aos lançamentos, que tem reduzido sistematicamente a oferta de unidades novas disponíveis para comercialização. Nos primeiros quatro meses do ano as cidades de Belo Horizonte e Nova Lima comercializaram 866 unidades enquanto os lançamentos totalizaram apenas 331 unidades. 

A consequência desse cenário é a sistemática redução do estoque de apartamentos novos disponível para comercialização que em abril atingiu 3.225 unidades, o menor patamar da série histórica iniciada em 2016. Esses dados fazem parte do Censo do Mercado Imobiliário realizado mensalmente pela Brain Consultoria para o Sinduscon-MG.

Expectativa de novos aumentos

De acordo com o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG, Renato Michel: “As vendas têm superado os lançamentos sistematicamente. O resultado é o aumento dos preços de apartamentos em Belo Horizonte. A situação é ainda mais preocupante considerando a aprovação do novo Plano Diretor pela Câmara Municipal. Estudos técnicos demonstram que ocorrerá um aumento médio de 30 a 40% nos preços dos imóveis, dificultando a realização do sonho da casa própria para os cidadãos que querem morar em BH. A cidade, que já está perdendo empreendimentos para os municípios vizinhos, ficará mais degradada, deixando de gerar renda e emprego. Ao invés de incentivar novos lançamentos, para incrementar a oferta e, consequentemente, a redução dos preços, o que se assiste é uma tendência de movimento contrário, ou seja, desestímulo total de lançamentos imobiliários e aumento de preços. Com isso, Belo Horizonte tende a deixar de gerar riqueza para a sua população.”

Vagas de emprego

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados divulgados pelo Ministério da Economia/Secretaria de Trabalho, de janeiro a abril a Construção Civil, na capital mineira, gerou 6.771 novas vagas com carteira assinada, o melhor resultado entre os setores de atividade. “Num cenário de incertezas econômicas, com dificuldades de acelerar o seu processo de crescimento, como o que o País está vivendo, o ideal é incentivar cada vez mais a geração de vagas e não ao contrário, como o que pode acontecer com BH. Isso é lamentável, ressalta o vice-presidente do Sinduscon-MG.

Abril/2019

Em abril foram vendidos 210 apartamentos novos nas cidades de Belo Horizonte e Nova Lima, o segundo melhor resultado observado no primeiro quadrimestre do ano. Em relação a março, quando foram comercializadas 369 unidades, observa-se queda relevante: 43,1%. Entretanto, é necessário destacar que o número de março foi muito expressivo e o maior observado para o mês nos últimos três anos. O vice-presidente do Sinduscon-MG ainda pondera: “A redução das vendas também está diretamente relacionada ao baixo patamar de lançamentos. Em abril, apenas 67 unidades foram lançadas. O excesso de burocracia e a demora para aprovação de projetos junto a Prefeitura de Belo Horizonte há muito desestimula os novos lançamentos na cidade”.

As regiões de Venda Nova (49 unidades), Pampulha (48 unidades) e Oeste (40 unidades) se destacaram na comercialização de imóveis no mês de abril. Observa-se, neste mês, que 53,8% dos apartamentos vendidos eram de padrão econômico, ou seja, possuíam valor até R$215 mil. Apenas as regiões Centro Sul (39 unidades) e Oeste (28 unidades) registraram lançamentos em abril/19.

Análise 12 meses

A tendência de vendas superiores aos lançamentos ganha mais força na análise dos resultados acumulados em 12 meses (maio-18/abril/19). Neste período, o Censo do Mercado Imobiliário demonstra que foram vendidas 3.591 unidades enquanto os lançamentos totalizaram apenas 2.096, o que fez o estoque disponível para comercialização retrair, passando de 4.714 unidades em abril/18 para 3.225 em abril/19.