Os riscos de construir ou reformar sem a orientação de um profissional qualificado

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Construir ou reformar sem a orientação de proficionais causam grandes riscos
Engenheiro civil Rodrigo Castro, da Construtora Carrara

Os desabamentos de prédios no Rio de Janeiro, em São Bernardo do Campo, no interior paulista, e em Belo Horizonte têm alarmado as pessoas em relação à segurança e solidez das estruturas de suas casas ou apartamentos. Na quinta-feira, 16/02, 28 famílias moradoras da rua São Marcos, no bairro Sagrada Família, foram orientadas a deixar suas casas devido a um problema na base de um edifício. Essas pessoas vivem, agora, o drama dos moradores dos edifícios Vale do Buritis, que desabou em janeiro, e Art Vivre, que ainda está ameaçado. Os prédios localizados no bairro Buritis, na região Oeste da capital mineira, estavam interditados desde outubro de 2011 devido às rachaduras e problemas na drenagem na rua Laura Carneiro Soares.

As fatalidades chamam a atenção para uma prática equivocada que, em pleno ano de 2012, continua a se repetir: construir ou reformar sem a orientação de um profissional especializado. O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Minas Gerais (CREA-MG), Jobson Andrade, diz que o número de denúncias aumentou de forma significativa no final de 2011, início de 2012, durante o período das chuvas, e o Conselho está apurando todas as denúncias recebidas. “O Crea-Minas tem hoje 86 fiscais e a fiscalização do Conselho, bem como de qualquer órgão assemelhado, é realizada por amostragem. A demanda envolve a verificação do exercício profissional de todas as profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Creas no estado”.

Jobson Andrade admite que essa onda de desabamento tem causado, de fato, certa desconfiança e uma sensação de insegurança. “Mas cada sinistro deste é uma história. Com certeza não é apenas um fator que contribui para que uma estrutura de engenharia venha a romper”.

A fiscalização do Crea/MG tem como objetivo garantir que serviços técnicos inerentes sejam realizados somente por profissionais devidamente habilitados. “Mas ainda é muito comum obras serem realizadas sem o projeto e acompanhamento do profissional de engenharia ou arquitetura. Principalmente no caso das reformas, já que as pessoas acham que não há complexidades e é uma obra fácil de executar”, afirma Rodrigo Castro, engenheiro civil da Construtora Carrara.

O engenheiro reforça ainda que um erro comum é achar que a contratação de um profissional irá encarecer a obra. “Esta contratação não aumenta o custo da obra. Pelo contrário, ela otimiza tempo e custo e minimiza uma série de imprevistos como, por exemplo, evita derrubar uma parede estrutural ou tubulações embutidas que podem gerar problemas”, observa.

O alerta do engenheiro revela um fato recorrente: muitas pessoas não contratam um profissional no início das obras, mas depois precisam recorrer a eles para reparar problemas. Então, para que remediar se é possível prevenir? “Sem a orientação de um engenheiro ou arquiteto é grande o risco de danificar a estrutura da edificação, gerando problemas futuros. Afinal, se for necessária uma manutenção, não haverá nem um projeto que registre o que já foi realizado ali”, exemplifica.

Ainda segundo Rodrigo Castro, a estrutura de prédios é bem mais delicada que a de casas. “Hoje, a maioria dos prédios é construída em alvenaria estrutural e as paredes funcionam como parte da estrutura. Ou seja, não podem ser retiradas ou mesmo usadas para fazer abertura de vãos para janelas e portas”, explica.