Mercado imobiliário avança em inovação

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Precisamos surpreender como as startups, que ganham cada vez mais espaço no mercado imobiliário, muitas vezes com mais coragem para enfrentar as velhas e ortodoxas práticas vigentes. Foto: Carlos Olímpia
Precisamos surpreender como as startups, que ganham cada vez mais espaço no mercado imobiliário, muitas vezes com mais coragem para enfrentar as velhas e ortodoxas práticas vigentes. Foto: Carlos Olímpia
No Mercado imobiliário, a principal transformação está em abandonar o papel e permitir que a tecnologia ajude a trazer esse novo conceito para dentro das organizações

Cássia Ximenes *

O Mercado imobiliário vive novos ares. Na era da inovação em que vivemos, de uma maneira muito rápida, produtos, serviços, ideias e conhecimento têm uma necessidade constante de transformação. Com isso, a cada instante, para não nos tornarmos obsoletos, os processos precisam ser revistos e readequados às novas demandas dos consumidores. Precisamos surpreender como as startups, que ganham cada vez mais espaço no mercado imobiliário, muitas vezes com mais coragem para enfrentar as velhas e ortodoxas práticas vigentes no nosso país, que nem sempre estão condizentes com os novos tempos.

Essa nova realidade representa um processo disruptivo com o modus do passado. Diferentemente da revolução industrial na Inglaterra do século 18 —que deixou a certeza de que o mundo passaria por mudanças a cada 50 anos—, atualmente muitas transformações ocorrem a cada minuto. Mas, afinal, o que é de fato inovação e o que é apenas uma releitura de velhas condutas simplesmente com uma roupagem mais moderna? Na dúvida, gosto sempre de recorrer ao velho e bom dicionário…, que já não é mais o mesmo! Até o dicionário foi impactado com a era disruptiva em que estamos vivendo: a Wikipédia hoje lidera, com informações interativas e dinâmicas, incluindo a ajuda de Inteligência artificial, aprendendo a cada pesquisa solicitada.

Invenção que chega ao mercado

Conceitualmente, a palavra “inovação” significa criar algo novo. Derivada do termo latino “innovatio”, refere-se a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. No entanto, hoje a palavra inovação é mais usada no contexto de ideias e invenções, assim como a exploração econômica relacionada, sendo que inovação é invenção que chega ao mercado.

“Inovação” também pode ser definida como uma forma de fazer mais com menos recursos, optando pela inserção da tecnologia como ferramenta auxiliar para gerar mais eficiência em processos produtivos, administrativos, financeiros ou na prestação de serviços, visando potencializar a competitividade. Quando a “inovação” cria aumento de competitividade, pode ser considerada um fator fundamental no crescimento econômico da sociedade. Então, a inovação no setor imobiliário é, na verdade, um instrumento de sobrevivência.

É necessário incentivar o processo criativo e transformador, com o cuidado de que sua implantação aconteça de forma responsável. As inevitáveis rupturas com velhos processos, que já  passaram a ser executados no “piloto automático”, devem ter como premissa o impacto positivo na qualidade de vida dos nossos clientes e colaboradores.

Caráter valorativo

Inovar no nosso setor deve ter o caráter valorativo, visando sempre mudar para melhor, e não o mudar para parecer diferente ou simplesmente atualizado. As inovações precisam ter o objetivo de consertar, corrigir, fazer melhor, adaptar a novas condições e exigências do nosso consumidor.

No nosso mercado imobiliário, a principal transformação está em abandonar o papel e permitir que a tecnologia ajude a trazer esse novo conceito para dentro das organizações, garantindo eficiência, segurança e agilidade nos processos operacionais. Gerar documentos que podem ser assinados e arquivados digitalmente sem a necessidade de imprimir.

O processo eletrônico pode ser mais ágil, mais barato, mais seguro e mais eficaz! Então, o desafio maior está na assimilação pelos gestores da substituição do papel pelos documentos digitais. Quanto à questão jurídica, a adaptação é inevitável. O novo Código Civil, no Artigo 225, já trouxe a mudança na questão da autenticidade das assinaturas digitais: “As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos e, em geral, quaisquer outras reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte, contra quem forem exibidos, não lhes impugnar a exatidão”. Assim, os clientes agradecem a desburocratização e celeridade dada às negociações. O meio ambiente agradece a preservação da natureza!

* Jornalista, especialista em negócios imobiliários, empresária e presidente da CMI/Secovi-MG (Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais).