Trinca em paredes é sinal de que o imóvel corre risco

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Rachaduras em prédio perturbam moradores
Rachaduras em prédio perturbam moradores

Marcella Sing

O aparecimento de fendas e rachaduras e trinca em paredes, em muitos casos, é visto como algo corriqueiro, que pode afetar toda e qualquer edificação. O fato não deixa de ser verdade, mas independente da localização e idade do imóvel, o surgimento de trincas deve ser tratado como um problema estrutural sério, que requer atenção e, principalmente, a vistoria de um profissional qualificado.

Recentes casos de interdição e até desmoronamento têm deixado a população em estado de alerta, como a queda de um prédio e a demolição de outros dois, no bairro Buritis, em Belo Horizonte, o desabamento de três prédios no centro da cidade do Rio de Janeiro, e o desmoronamento de uma laje em um edifício em São Bernardo do Campo, São Paulo.

Em Belo Horizonte, dois prédios foram interditados no bairro Sagrada Família devido a danos na estrutura, sinalizados por fendas no concreto. Nem mesmo edifícios que abrigam órgãos públicos estão livres. Uma perícia realizada no prédio do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), em meados de fevereiro, apontou rachaduras e trincas que podem comprometer a integridade do edifício, porém descartando a possibilidade de queda.

Para que as trincas não se transformem em dor de cabeça, é preciso, antes de tudo, observar sua evolução. A Defesa Civil aconselha medir a rachadura diariamente. Caso haja aumento, por menor que seja, o morador deve acionar o órgão ou mesmo um engenheiro civil para realizar a vistoria no local e verificar o nível de comprometimento.

Como as rachaduras podem ter motivos diversos, é necessário que o engenheiro tenha formação específica em patologia das edificações. Segundo o presidente do Instituto Mineiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (IBAPE-MG), Frederico Correa Lima, somente um profissional especializado pode identificar a causa do problema. “Cada fissura tem uma origem diferente, mesmo que estejam próximas. Por isso, um engenheiro capacitado deve ser acionado, uma vez que ele será capaz de analisar as características do imóvel com maior propriedade”, explica o presidente.

Um dos erros mais frequentes é quando o morador preenche o espaço da rachadura com massas e realiza pinturas. De acordo com o Superintendente Técnico Operacional da Defesa Civil de Belo Horizonte, Major Edylan Arruda, “toda trinca, sem exceção, é um indício de que a estrutura está sofrendo abalo”. Assim, esconder a falha não irá impedir que a situação se agrave e, sim, dificultar o esclarecimento da causa.

A atenção deve ser redobrada se a rachadura estiver na diagonal. “Se a extensão for longitudinal, é quase certo de que a estrutura está com problemas. Nesse caso, o órgão ou profissional competente deve ser chamado com urgência, mesmo que não aumente com o passar dos dias”, alerta o Superintendente da Defesa Civil. Se a trinca for pequena e não apresentar evolução, o morador pode se tranquilizar, mas é necessário continuar a observação.

Prevenção

Somente o profissional especializado é capaz de emitir o laudo completo da situação do imóvel. A análise inicial do local é feita, em grande parte dos casos, em cerca de quatro horas. Já o estudo pode ser mais demorado, dependendo da complexidade do caso. Em algumas situações, é necessário ainda realizar escavações e sondagens. Sendo assim, a visita do engenheiro pode sair caro para o morador. De acordo com a tabela do IBAPE-MG, uma hora de trabalho não sai por menos de R$ 2,6 mil.

O presidente do Instituto aconselha a inspeção regular como forma de manutenção preventiva. Dessa forma, o custo pode ser até 50 vezes menor, além de evitar o surgimento de problemas que comprometam a estrutura do imóvel. “Toda e qualquer edificação necessita de cuidados periódicos. O profissional pode desenvolver um plano de manutenção para cada área do imóvel, contemplando desde a estrutura em si até os revestimentos”, diz Frederico Correia Lima.