Topa-tudo…

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Topa-tudo. Valorização de espaços em decoração de interiores

Tem fundamento essa história de buscar elementos, peças ou objetos de casas em processo de demolição ou Topa-tudo para compor novos ambientes? Não há conflitos estéticos?


Elementos de demolição servem tanto para ambientes internos quanto externos? São dúvidas que a decoradora de interiores Maria Elisa Fernandes costuma receber.

-“Cada caso é um caso”, ensina. Em cidades muito jovens, como Belo Horizonte, nem sempre é fácil encontrar peças de valor.


-“Além do mais, a arquitetura que se impõe hoje na cidade, privilegia apartamentos, em vez de casas”, destaca Maria Elisa, lembrando que -“esse tipo de imóvel nem sempre aceita bem a inclusão do que se costuma encontrar nos imóveis em demolição”.

-” Quando se fala em decoração de interiores é preciso lembrar que o ponto fundamental é a valorização dos espaços; não há nada mais nouveau riche do que atulhar um ambiente de velharias em nome de uma pretensa sofisticação.

“à€s vezes, a solução pode ser uma boa pesquisa num topa-tudo”, receita. Maria Elisa aponta alguns elementos que podem se incluídos em projetos de decoração, desde que se harmonizem com o restante do ambiente. -“Gradis, rosáceas, vitrais, até mesmo vigas -” desde que a madeira esteja em boas condições -” podem compor pequenos ambientes, como bares, varandas ou até mesmo uma sala de jantar”, aconselha. Foi num topa-tudo que ela recolheu seis filtros de óleo usados em caminhões e os transformou -“em pufes pós-modernos”, depois de retiradas as manchas e com o acréscimo de almofadas indianas.

Mas a decoradora também recomenda cuidados. Segundo ela, nessa hora é mais confiável buscar a ajuda de um decorador profissional ou de um antiquário de confiança, para não levar gato por lebre. -“Há dias”, conta, -“uma cliente me ligou dizendo que havia comprado uma pia de porcelana em uma casa em demolição na rua Rio Grande do Sul e me pediu que examinasse peça. Era falsa; a pintura era grotesca, os retoques eram visíveis e havia até mesmo sinais da marca do fabricante, que foram raspados com làde aço e depois disfarçados com uma pintura”.

Maria Elisa não só aconselhou a cliente a desfazer a compra como também sugeriu que mantivesse a pia do projeto original, em aço inox, que ganhou depois o reforço de uma pequena cômoda, em jacarandá, com puxadores de prata, adquirida em um antiquário de sua confiança. -“O novo e o antigo podem e devem se harmonizar, mas é preciso haver critérios: o ambiente deve ser analisado como um todo, para evitar que a peça em questão não destoe do conjunto”, aconselha. No caso de móveis, ela adiante que a compra deve ser feita na presença de um especialista.

-” Não é só porque é antigo que um móvel tem valor. à€s vezes, pode trazer defeitos. Além do decorador, um carpinteiro ou marceneiro devem acompanhar a compra para avaliar os defeitos da madeira e até mesmo detectar a presença de cupins.

Desde que tenham um desenho original, cadeiras de ferro batido, depois de reformadas, pintadas e ganharem um novo estofamento, são ótimas para uma sala de jogos, uma varanda ou até mesmo uma sala de jantar informal. -“E isso é coisa que, à s vezes, pode ser comprada até num topa-tudo; não há nada mais constrangedor e de mau gosto do que esses armários pesadões de jacarandá ou a imitação barata de louça portuguesa”, afirma.