Raios X da capital mineira – Pampulha, ainda a bola da vez

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A Pampulha foi a Região que teve maior número de projetos imobiliários aprovados
A Pampulha foi a Região que teve maior número de projetos imobiliários aprovados

Ana Clara Otoni

Viver na Pampulha, um dos cartões postais da capital mineira, tem o seu glamour e suas vantagens. A região  oferece um amplo comércio centralizado nos bairros, diversas opções de lazer e turismo e ainda espaço predominantemente residencial, devido à concentração de casas. As discussões pela verticalização da Pampulha têm apontado inúmeras barreiras para que sejam construídos prédios na região. Para os moradores, isso é a esperança da garantia de uma vista sempre limpa do ainda belo horizonte da Pampulha.

De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, a regional está compreendida em uma área de 33 km², possui 34 bairros e 10 vilas agrupados em cinco microrregiões, as chamadas Unidades de Planejamento. Conforme o censo do IBGE de 2000, a população da região era de 142.602 mil habitantes, estima-se que atualmente seja de aproximadamente 155 mil habitantes. Na região existem 12 escolas municipais, 13 escolas estaduais e nove centros de saúde, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA Pampulha), além de hipermercados, shoppings, rede bancária, rede de ensino particular, postos de serviços automotivos, hospitais, clínicas, áreas de lazer, dentre outros.

Bairros Novos

Tamanho potencial tem sido conferido pela diversidade de construções — de médio e baixo porte — em bairros considerados novos, como Ouro Preto, Castelo e Serrano. De acordo com pesquisa do Sindicato da Construção Civil (Sinduscom-MG), que fez uma análise do mercado imobiliário no ano de 2011, três bairros da região da Pampulha aparecem no ranking dos 17 com maior número de imóveis vendidos. No bairro Serrano, na liderança da região foram vendidas 169 unidades residenciais. Já no Castelo foram 231 imóveis. O bairro Ouro Preto apareceu com 128 unidades, conforme o estudo. Moradora do bairro Serrano há 29 anos, a analista fiscal Paula Emilia de Azevedo destaca a importância de morar em uma região segura devido à sua tradição. “Como a maioria dos moradores são antigos, todo mundo se conhece e a gente se sente mais segura assim”, conta.

Segurança

Além de considerar a segurança como um ponto positivo da região, o farmacêutico Leonardo Bahia Tavares, de 25 anos, aponta a variedade do comércio no bairro Ouro Preto, onde mora, como outro diferencial. Na rua em que reside há supermercado, restaurantes, farmácias, agências de turismo e bancárias.
— Além disso, tenho acesso fácil ao centro por estar perto da Catalão, avenida Antônio Carlos e do Anel Rodoviário —, destaca.

Tavares mora há 14 na região com a sua família e a maior parte deste tempo teve a tranquilidade de ter educação de qualidade perto de casa. Ele estudou no colégio Santa Marcelina e se formou em farmácia na Universidade Federal de Minas Gerais, a algumas quadras da casa dele. “As áreas verdes preservadas são outro diferencial do bairro, seja pela lagoa da Pampulha ou pela mata da UFMG”, afirma.

Mas como todo desenvolvimento acontece de forma gradual e deixando falhas a serem corrigidas, os moradores da região da Pampulha reclamam da precariedade do transporte público que atende a região. Alguns bairros, como o Castelo, possuem basicamente apenas uma linha de ônibus e, com isso, os moradores sempre encontram coletivos lotados. “O transporte público é bem deficiente na região, que tem um tráfego intenso e má conservação das vias”, comenta Tavares. Para ele, a iluminação pública da região também deveria ser melhorada, já que alguns bairros, por serem novos, têm ainda muito lotes vagos e áreas desertas. “Isso aumenta o risco de assaltos”, analisa.

Aposta na Pampulha

Nos últimos sete anos, a região da Pampulha tem recebido amplos investimentos das esferas municipal, estadual e federal, tanto na questão da acessibilidade e lazer quanto de infraestrutura. Prova disso é o alargamento da avenida Antônio Carlos, que está recebendo estrutura para abrigar o famoso BRT (bus rapid transit, trânsito de ônibus rápido, na tradução livre). Sem falar na reforma do estádio do Mineirão, com a escolha de Belo Horizonte para uma das cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol em 2014, e a criação do Parque Ecológico da Pampulha, em 2004.

Mineirão foi todo reformado para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Foto: ADEMG/divulgação
Mineirão foi todo reformado para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Foto: ADEMG/divulgação

Tais empreendimentos conferiram à região o impulso para o crescimento imobiliário e hoteleiro da área da Pampulha. Em maio, foi inaugurado o parque tecnológico BH-Tec, um investimento da ordem de R$ 28 milhões. Porém, a expectativa é que o empreendimento demande ainda um aporte de R$ 600 milhões, considerando ampliações já previstas. O parque tem capacidade para abrigar 200 companhias e foi aberto com apenas 16 empresas de tecnologia da informação, gestão, eletrônica e aeronáutica. O espaço de 535 mil metros quadrados, dos quais 350 mil metros quadrados são destinados à área de preservação ambiental e 93,3 mil metros quadrados a lotes, deve atrair não só investimento em tecnologia, mas também moradores para a região.

Parque tecnológico BH-Tec
Parque tecnológico BH-Tec
Avenida Fleming

O sócio-proprietário do bar Seu Jorge, localizado na avenida Fleming uma das mais badaladas da região, deve investir R$ 300 mil com a criação de três novos bares na região da Pampulha. “Minas Gerais tem tudo para ser a capital gastronômica na Copa, e a Pampulha tem um forte talento para desenvolver esse potencial”, aposta. A expectativa de Bezerra é tão grande para o evento que ele diz não descartar a possibilidade de ter que abrir 24 horas durante a Copa. “Vai ser uma grande oportunidade, mas quando acabar sei que quem garante a nossa manutenção é a vizinhança, que é basicamente composta por um público jovem”, afirma.

Qualidade de vida

A advogada Carina Cristina Ferreira Leão, de 30 anos, tem o perfil característico dos moradores da região da Pampulha. Antes, morava no bairro Alípio de Melo, mas há um mês se mudou com o marido para o Castelo. “É um bairro novo, mas que já oferece uma boa qualidade de vida, além de ser perto da casa dos meus pais”, enumera. É comum encontrar casais recém-casados, estudantes e profissionais em início de carreira se mudando para a região da Pampulha. Prova disso, é a quantidade de unidades prontas para serem comercializadas nos bairros Santa Amélia (que em março oferecia 205 imóveis) e no Castelo, onde 108 residências estavam livres para serem comercializadas, segundo pesquisa Desempenho do Mercado Imobiliário de Belo Horizonte, do Sinduscon, realizada no primeiro trimestre de 2012.

  • angela sanches

    estou precisando de artigos e fotos antigas do bairro ouro preto para fazer um trabalho.