Preço de imóvel novo faz reforma de usado ser opção econômica e funcional

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Reformar imóvel usado pode ser boa opção

Ana Clara Otoni
Atrasos na entrega dos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida, redução nos lançamentos de novos empreendimentos e alto preço dos terrenos fizeram com que as vendas de apartamentos novos despencassem em Belo Horizonte em 2011. Um levantamento do o Sindicato da Indústria da Construção Civil divulgado na semana passada mostra que o índice caiu de 39,91%, na comparação de 2011 com 2010.
Para tentar fugir da valorização dos imóveis novos, há quem busque uma casa usada por um preço mais acessível e prefira gastar com a reforma do espaço. O projetista de redes Roberto Braz da Silva e sua mulher, Lídia Maria Correa, criaram o próprio cantinho em São José da Lapa, na Grande BH. O terreno murado de 900m² de área – muito superior à média na capital de 360 m² – foi comprado por R$ 60 mil. “Valeu a pena. No fim da reforma, tínhamos um imóvel dentro das nossas expectativas e por um preço bem menor do que o de um apartamento médio em Belo Horizonte”, conta Roberto.
Hoje, o “pequeno paraíso” – como os amigos de Roberto e Lídia se referem ao espaço – está avaliado em R$ 300 mil. Antes de desfrutar da varanda, duas suítes e da piscina com deck e do abrigo coberto da garagem com espaço para três carros, fruto da reforma, eles precisaram se planejar. O gasto total da obra, que durou seis meses, foi de R$ 90 mil – o maior gasto puxado pela instalação da piscina.
Economia

 A arquiteta Renata Basques diz que só compensa fazer comprar um imóvel usado com a intenção de reformar quando a estrutura estiver em boas condições. “É bom olhar também se dá para aproveitar as janelas e esquadrias, se o piso precisa ser sintecado ou raspado e se há problemas elétricos e hidráulicos na casa”, pontua.

Além disso, a reforma, de acordo com Renata, personaliza a casa o que é um grande diferencial já que todo mundo quer se sentir bem em casa. O primeiro passo fazer uma reforma funcional e econômica é contratar um engenheiro ou arquiteto para fazer o projeto da obra.
Na casa de Lídia e Roberto esse quesito foi resolvido de forma caseira, mas profissional. Afinal, Lídia é arquiteta e montou o projeto da residência deles. “A casa estava em estado precário, telhado de amianto, sem laje e com muitas rachaduras. Analisamos se seria possível aproveitá-la ou se era melhor demolir para construir outra”, relembra Silva. Por fim, eles optaram pela obra. “Aproveitar foi uma decisão difícil e só foi levada a termo depois dos estudos da Lídia”, disse.
Não só no período de criação do projeto a presença de uma arquiteta dentro de casa, literalmente, fez a diferença. Para Roberto, com a experiência da Lídia foi possível economizar muito na hora de fazer a escolha e a compra dos materiais mais adequados. “Ela ainda auxiliava nas questões técnicas que foram surgindo ao longo da obra”, recorda Silva. Para quem não tem o privilégio do casal é bom estar com o bolso preparado. De acordo com a profissional Renata Basques, a contratação de um arquiteto ou engenheiro custa, em média, 10% do valor de toda a reforma. “O profissional traz além da segurança técnica, experiência com tipos de materiais, conhecimento do mercado e dos fornecedores, que são quesitos que podem trazer economia para o cliente”, defende.
A arquiteta ainda chama a atenção na hora da escolha desse profissional. “É importante que ele esteja alinhado aos objetivos da família. Ele precisa saber, por exemplo, se o cliente tem planos de ter filhos, se vai trabalhar em casa ou se pretende comprar um carro para o filho mais velho. Tudo isso altera a criação do projeto”, afirma. Roberto reforça o conselho da arquiteta. O projeto feito pela mulher dele priorizou os costumes do casal. “Temos parentes e amigos que moram em Belo Horizonte, a 30 KM daqui, eles sempre veem nos visitar, por isso temos quarto para hóspedes. Também criamos um escritório anexo à casa, já que trabalho daqui e preciso, basicamente, de internet e computador”, explica.
Observar detalhes na estrutura do imóvel evita dor de cabeça
Antes de comprar casa ou o apartamento usado o ideal é, além da garantia de uma boa estrutura do imóvel, definir o objetivo principal da reforma. De acordo com a arquiteta Renata Basques é preciso verificar as condições das instalações hidráulicas e elétricas do imóvel, as paredes – se apresentam rachaduras ou infiltrações e o telhado. “Um erro comum acontece na reforma do banheiro. A pessoa quer trocar os azulejos e depois da obra pronta aparece uma infiltração, simplesmente porque não foi feita a inspeção da tubulação hidráulica. Esse tipo de coisa é o profissional quem deve orientar o morador sobre o que deve ser feito”, alerta a arquiteta.
Com o projeto acertado e em mãos é hora de legalizar as futuras intervenções. Mesmo reformas no interior do imóvel precisam de documentação para liberação da execução da obra, por isso, ao se contratar um arquiteto ou engenheiro, ele deve emitir um certificado de reserva técnica que é endereçado ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) do Estado informando sobre a obra. Segundo a arquiteta, os episódios recentes com queda de edifícios no bairro Buritis, na região Oeste da capital, e no centro histórico do Rio de Janeiro (RJ) fizeram com que as pessoas se preocupassem mais com essa legalização. “Agora os clientes me perguntam mais sobre a liberação legal da reforma, se interessam pelo peso que está sendo colocado no imóvel, tanto de entulho quanto de material”, comenta.