Os bairros mais cobiçados de BH – quais são e porque estão neste ranking

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Os jardins de inspiração francesa da Praça da LIberdade encantam os belo-horizontinos
Os jardins de inspiração francesa da Praça da LIberdade encantam os belo-horizontinos

Por Ana Clara Otoni
Seja pelo charme dos jardins de inspiração francesa da Praça da Liberdade, pelo movimentado polo de desenvolvimento comercial ou pela ampla mobilidade que oferecem os bairros mais cobiçados de Belo Horizonte são o de Lourdes, o Funcionários e o Santo Agostinho. O metro quadrado na região custa, em média, de R$ 7 a 15 mil, sendo a cotação mais cara da capital mineira, conforme o Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). O apontamento desses bairros no ranking dos “mais desejados” foi feito por especialistas do setor imobiliário.
O levantamento foi baseado no perfil do comprador de imóveis da capital mineira. A histórica relação de tradição desses bairros faz com que determinado público tenha um carinho especial com a região onde eles estão localizados: a Zona Sul.
Para as arquitetas e urbanistas Jupira Gomes de Mendonça e Heloisa Soares de Moura Costa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), esses bairros oferecem “projetos diferenciados e que apresentam tipos de serviços de lazer, tecnologia de ponta e segurança, além de grande área por unidade residencial”. Em um estudo detalhado, que será publicado no próximo dia 5 de maio no livro “Estado e capital imobiliário: convergências atuais na produção do espaço urbano brasileiro”, Jupira e Heloisa mostram os fatores que levam o belo-horizontino e o morador da Grande BH a escolher o bairro onde quer morar.

O diretor de Comunicação do Sinduscon, Jorge Luiz Almeida, diz que pesquisa aponta que as pessoas querem morar nos bairros onde nasceram

Foram ouvidas na pesquisa cinco mil pessoas com renda média familiar de R$ 2.500 e que tivessem comprado imóvel há dois anos. O estudo mostrou algo que Jorge Luiz Oliveira de Almeida, diretor de comunicação do Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), já havia percebido na pesquisa “Projeto Tendências do Mercado Imobiliário de Belo Horizonte e RMBH”, realizado em 2009 pelo sindicato. “As pessoas querem morar onde foram criadas, onde estão seus familiares e amigos, ou seja, o entorno onde ela sempre frequentou”, explica ao observar que 59.5% dos moradores da região Centro-Sul desejam adquirir um imóvel na vizinha onde já residem. A pesquisa das arquitetas da UFMG mostrou que os moradores da Zona Sul apontaram que preferem morar em bairros da própria região ou continuar a morar em seus próprios bairros.
O bairro de Lourdes, na região Centro-Sul da capital, ganhou quesitos importantes na escala dos bairros mais desejados por ter agregado, recentemente ¬ – com a transferência da sede do governo da Praça da Liberdade para a Cidade Administrativa, no Vetor Norte – uma área de cultura e lazer. “O bairro tornou-se um centro cultural, com os melhores restaurantes e bares da cidade, além de museus e rica produção artísticas que brota naqueles prédios que antes eram sedes de secretarias do governo”, afirma Almeida.
O arquiteto e diretor do Escritório Torres Miranda, Júlio Tôrres, diz que o Minas Tênis Clube é um dos chamarizes para o bairro de Lourdes. Além disso, ele destaca a presença de muitos médicos na região do bairro Santo Agostinho como um dos fatores para que a região tenha se tornado uma das mais desejadas – e caras da capital. “O fato de o shopping Diamond Mall, o colégio Loyola e o Santo Agostinho, além da Assembleia Legislativa, estarem naquele entorno são outros atrativos e diferenciais do bairro”, aponta.

O arquiteto Julio Torres afirma que a Savassi é uma âncora econômica da região

O tradicionalíssimo bairro Funcionários apresenta comércio forte e uma boa infraestrutura educacional, o que seria, além da localização, quesitos que o colocaram na alta cúpula do ranking dos bairros de Belo Horizonte. “O Funcionários é a principal referência para quem não é de Beagá, além de ter como forte âncora econômica a Savassi”, diz Júlio Torres.

Órfãos de bairros nobres: o perfil do comprador
Manter o conforto de morar perto dos pais e de onde cresceu pode até ser o desejo de muita gente, como mostraram os especialistas, mas outros aspectos influenciam a compra de um imóvel. Para o arquiteto são elas: a facilidade do transporte (seja ele público ou privado), a proximidade ao local de trabalho e às boas escolas, a infraestrutura comercial e de serviços (água, esgoto e luz) do entorno, a tranquilidade, a segurança e a um último quesito: a adequação do preço do imóvel ao orçamento disponível. Ou seja, não é barato ter e oferecer aos seus filhos o mesmo padrão desses bairros.

Jorge Luiz Oliveira de Almeida, diretor de comunicação do Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), explica claramente o movimento observado no setor quando o comprador se depara com essa situação de dificuldade financeira. “Aquele que percebe que não terá a mesma felicidade do pai para manter o padrão de vida de seus filhos, acaba optando por bairros como o Buritis e o Prado, na zona Oeste da capital”, explica. Para Almeida, essas vizinhas são formadas por “órfãos dos bairros nobres” e preservam boa parte da qualidade de vida de Zona Sul. Ele alerta, porém, que apesar disso, paga-se um preço amargo por essa transferência, já que será preciso enfrentar os problemas estruturais do bairro, como o terreno acidentado demais para a construção civil, os longos congestionamentos das principais vias de acesso ao bairro e a distância dos pais que ficaram na área nobre de Belo Horizonte.

  • alisssn

    Faltou falar que, atualmente, os bairros citados apresentam sérios problemas com trânsito e barulho. Ainda que muito bons, alguns figuram, como Lourdes, entre os bairros com maior índice de perturbação do sossego, seguido pelo Santa Tereza, devido ao crescente número de bares que adentram a noite perturbando o sono dos moradores, buzinas de carros, falta de vagas. Muita gente tem trocado esses bairros pelos tradicionais Cidade Jardim, São Bento, próximos ao Centro e mais tranquilos.

  • alisssn

    A matéria também parece ser comprada (não por ser mentirosa, mas tendenciosa). Em recente pesquisa nacional da Urbanizo, o ranking ficou assim:

    1 – Savassi – média de 8,0 o metro quadrado;
    2- Lourdes – média de 7,7;
    3- Belvedere – média de 7,4;
    4 – Funcionários – média de 7,1

    Depois viria Santo Agostinho. Também não foi citado que boa parte da classe alta escolhe a região do Belvedere, de altíssimo padrão, com áreas de lazer gigantescas que atendem a outro perfil de moradores mais novos, uma praça gigantesca onde pessoas se reúnem para caminhas, todas as calçadas padronizadas em pedras portugueses, na maiorias dos pontos ausência de barulho, proximidade com a beleza da Serra do Curral, clima mais ameno, bom comércio também.

    A região de NOva LIma, condomínios de casas, atende a outro perfil, sendo atualmente também das mais valorizadas.

    E o exclusivíssimo Clube dos Caçadores, no Mangabeiras.

    POr tudo isso, achei bem tendencioso o texto, pois considereou o perfil de uma parcela rica da população, que realmente prefere morar dentro da conturbada Contorno, mas com amplos serviços, e desconsidedou outra parcela igualmente rica, que escolhe outras regiões.

    Tem também a região da Pampulha, Bairro Bandeirantes, igualmente de classe alta.

  • Júnior Garrido

    Hoje em dia apartamentos custando até mais de 1 milhão no buritis e Prado, pode se considerar que são bairros nobres em ascenção? Buritis até mais que o Prado, já que como é um bairro jovem tem uma infraestrutura melhor e mais modernas, construções mais novas, muitas opções de comércio mais elitista, já o Prado mesmo sendo um bairro mais antigo, é bem próximo do Centro e da Av do Contorno, hoje em dia mesmo sua maioria sendo construções mais antigas, é um local “caro” para se morar, onde é possível encontrar imóveis residenciais pequenos por preços muito alto.