O perigo mora em casa

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A médica Ingrid Souza Lima recomenda que quartos e salas de TV tenham poucos móveis para evitar o acúmulo de Ácaros

Os ácaros são um problema para os alérgicos. Já que eles não podem sair das nossas vidas, podemos aprender a lidar com este poluente biológico

Isabella Rocha

Na hora de dormir você nunca está sozinho, mas esta notícia não é tão boa quanto parece. Nossos inquilinos são os indesejáveis ácaros, que abrigamos na nossa cama quentinha e que se alimentam da descamação da nossa pele. Invisível a olho nu, seu tamanho pode chegar a apenas 0,3 milímetros e sua vida dura de dois a quatro meses. Tão pequeno e frágil, é difícil imaginar o estrago que ele faz no sistema imunológico de um alérgico. Sintomas como coceira e entupimento do nariz, espirro exagerado, peito cheio e falta de ar são bem conhecidos pelos pacientes de doenças respiratórias como rinite alérgica e asma. Os ácaros também podem piorar doenças dermatológicas, como a dermatite atópica.

Por mais cuidadoso que você seja, este aracnídeo sempre estará na sua casa. Os lugares preferidos deles são os colchões, travesseiros e sofás, lugar que a gente mais fica e junta mais poeira. Tapetes, cortinas e bichinhos de pelúcia também estão entre os lugares preferidos do ácaro. A doutora Ingrid Souza Lima é presidente da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia da regional mineira e nos alerta que apesar do animal estar presente em toda residência, somente os alérgicos vão reagir a ele. “Essa sensibilidade é genética e à medida que a pessoa vai se expondo, ela vai aumentando”, explica a alergista. Se a sensibilidade aumenta, os sintomas também.

Sintomas da presença de Ácaros aparecem mais à noite e pela manhã

O que provoca a alergia são as fezes e o corpo do ácaro, que viram um pó e, junto com a poeira, são inalados pela pessoa na hora de dormir. O organismo reconhece aquela proteína como estranha e provoca uma crise nele mesmo. Segundo a doutora Ingrid, por isso os sintomas aparecem, principalmente, na parte da noite e de manhã. Ana Luíza Corrêa, 20 anos, tem rinite alérgica, assim como seu pai. “Nos dias em que minha alergia ataca, tenho muita dificuldade de respirar, espirro o tempo todo e meu nariz fica vermelho de tanto coçar”, conta a estudante.

O paciente que possui esta sensibilidade pode seguir alguns passos para melhorar a qualidade de vida. “O ambiente que o alérgico vive tem tudo a ver com a piora da sintomologia”, avisa a doutora. Portanto, a recomendação é deixar pouca coisa dentro do quarto e da sala de televisão. O quarto do alérgico é clean e deve estar sempre limpo. ”Uso persiana no meu quarto, já que acumula menos poeira”, conta Ana Luíza. Para o colchão e travesseiro, existem capas antialérgicas e na sala de televisão, a preferência é optar pelo sofá de couro, curvim, ou um tecido emborrachado, para que a poeira fique por cima e facilite a limpeza.

A outra dica é o uso da medicação para bloquear os sintomas. Tudo com acompanhamento médico, claro. Dessa forma, o paciente melhora os sintomas, não a doença. A imunoterapia, vacina de alergia, é o único jeito de resolver o problema. “Não posso tirar a poeira da vida do paciente, mas posso ajudá-lo a viver bem com ela”, conta Ingrid. Assim, a pessoa vai perdendo a sensibilidade exagerada e conseguindo entrar em contato com o ácaro e poeira sem reagir.