Novo padrão de tomadas elétricas em casa: é preciso se adaptar

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2010
O emopresário Emerson Cleiton precisou trocar a tomada da cozinha para usar o micro-ondas

Ana Clara Otoni

O casal recém-casado Emerson Cleiton Costa, 25 anos, e Karine Graças Gonçalves, de 24 anos, não esperava ter que fazer adaptações na rede elétrica do imóvel que compraram ainda antes do prédio ser finalizado. Isso porque a nova regra da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) alterou os padrões das tomadas e receptores para um modelo com três pinos e determinou que, a partir de julho de 2006, todas as novas edificações adotassem o novo modelo. A construtora do prédio onde o casal mora, no bairro Caiçara, na região Nordeste da capital, seguiu à risca a determinação da lei nº 11.337. O problema, porém, apareceu quando eles tentaram usar alguns dos eletrodomésticos em casa.
“Instalamos TV a cabo e o aparelho ainda estava no modelo antigo, precisamos arcar com o custo de um adaptador para o novo padrão. Foi um transtorno, mas resolvemos o problema”, conta o empresário Emerson. A grande maioria dos eletrodomésticos e eletrônicos da residência do casal foi adquirida entre o meio do ano passado e o início de 2012 e, por isso, as intervenções não foram muitas. “Praticamente tudo o que compramos e ganhamos já veio no novo modelo, o que foi um facilitador, já que a nossa casa tem tomadas apenas para o padrão de três pinos”, conta Karine.
A engenheira de energia Morjana Moreira dos Anjos diz que o novo padrão oferece mais segurança e economia para os brasileiros. “A padronização reduz os riscos de choques elétricos e também a sobrecarga na instalação elétrica, isso acontece devido ao terceiro pino da nova tomada, que funciona como um fio terra”, explica. A função do fio terra é descarregar todas as cargas diferentes de zero para que elas sejam distribuídas no aparelho, conforme a engenheira. “Assim, a Terra receberá essa descarga, protegendo o usuário contra o choque elétrico”, completa.
A norma da ABNT NBR 14136 foi baseada na norma internacional IEC 60906-1 e permite que o plugue de dois pinos seja completamente compatível com o novo modelo de tomada. Embora tenha sido baseado em modelos internacionais, o padrão escolhido no Brasil é único e, por isso, ninguém mais no mundo o utiliza, o que acaba gerando um impasse nas transações internacionais. Mas, quem ainda tem as tomadas e os equipamentos no padrão antigo não precisa correr para fazer a mudança. A engenheira alerta que a adaptação só é necessária quando é feita a aquisição de aparelhos que já vêm no novo formato. Para os mais cautelosos, porém, ela garante que a troca para o novo modelo pode conferir maior segurança ao usuário. Ele só precisa ficar atento para os gastos que terá com toda a mudança – já que os eletrodomésticos e eletrônicos da casa também precisarão ser trocados para o novo modelo. Fazer a mudança aos poucos parece a melhor opção, afirma o empresário Cleiton. “Nosso gasto foi pequeno, cerca de R$ 20, já que precisamos trocar apenas uma tomada por causa da potência do micro-ondas e com o adaptador para o equipamento da TV a cabo. Ficaria muito mais caro se tivéssemos eletrônicos do modelo velho”, diz.
Uma nova tomada custa, em média, de R$ 6 a R$ 8. Já o preço médio do adaptador é de R$ 5. Para a engenheira, trocar os adaptadores é o mais vantajoso. “O custo é mais barato do que adquirir um eletrodoméstico novo, além disso, e a maioria dos eletrodomésticos antigos se encaixa no novo padrão de tomadas”, afirma a engenheira de energia.
Cleiton precisou trocar a tomada da cozinha para que pudesse usar o micro-ondas, já que a tomada do eletrodoméstico é diferenciada. Há dois tipos de modelos no Brasil, atualmente, e a diferença entre eles está na potência dos equipamentos – que é diferenciada pelo diâmetro do orifício de entrada da tomada e do pino do plugue. No caso do micro-ondas do casal, o modelo exigia uma capacidade de 20 ampères (A) – que possui diâmetro do pino e do orifício da tomada muito maior. “Quando fui ligar o micro-ondas percebi que a tomada dele era mais grossa. Precisamos trocar a tomada para que o plugue funcionasse”, lembra Karine. A intervenção precisou ser feita porque os modelos de 10A não comportam os de 20A, que recebem, sem dificuldades os de 10A. Dessa forma, fica garantido que a capacidade de corrente elétrica não seja excedida, conforme explica a engenheira.

Novo padrão de tomada elétrica com três pinos traz mais segurança

Um dos medos de Karine Gonçalves era que os adaptadores puxassem mais energia e isso trouxesse reflexos na conta de luz no fim do mês. A engenheira de energia tranquiliza a jovem recém-casada. “Por evitar a sobrecarga na instalação elétrica, os adaptadores de tomadas e plugues reduzem o consumo de energia dos aparelhos. E ainda contam com a vantagem de o terceiro pino funcionar como fio terra e, com isso, reduz o risco de choques elétricos e problemas elétricos”, afirma Morjana.

Fuja das gambiarras!
Caso você adquira um eletroeletrônico novo e que já tenha o novo modelo, busque um adaptador em lojas especializadas e certifique-se se o dispositivo possui selo do Inmetro. Porém, se você precisar fazer trocas de tomadas na rede elétrica do seu imóvel, o mais recomendável é procurar um técnico especializado em reparações em redes elétricas. Com isso, você reduz os riscos de se expor a choques e ainda garante a segurança da rede da sua casa. Sem gambiarras, os perigos de um curto-circuito são reduzidos potencialmente.
Alerta. Os benjamins, ou Ts (tês), foram banidos do mercado de trabalho pela nova lei da ABNT, porém ainda é comum se ver nas casas vários equipamentos ligados em uma tomada só. A engenheira de energia Morjana Moreira dos Anjos alerta para os perigos da reunião de mais de um eletrônico na mesma tomada. “Os benjamins podem sobrecarregar a rede elétrica e com isso causar curtos circuitos, que podem levar a acidentes como o choque elétrico e até mesmo incêndios, além de causar danos aos aparelhos conectados”, diz. A recomendação é para que a pessoa use um equipamento por vez ou instale mais tomadas no cômodo onde precisa ligar mais de um eletrônico ao mesmo tempo.
Ajustando. Atentar para a voltagem do eletrodoméstico é outro cuidado que o usuário deve ter para evitar danos. “Corre-se o risco de criar um curto-circuito, podendo causar incêndios e riscos de choque, além de danificar o aparelho adquirido”, orienta a engenheira.

  • Antonio

    Prezado
    Gostaria de saber se quando eu ligo um aparelho de plugue grosso 20 amp em uma tomada de 10 a potencia do aparelho diminui.
    Sei que nao devo usar adaptador e estou providenciando a troca de algumas tomadas para 20, mas mesmo assim fiquei em dúvida

    Obrigado.