Mercado imobiliário: poupança e juro menor abrem caminhos

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Feirão da Casa Própria da CAIXA
Feirão da Casa Própria da CAIXA

Ana Clara Otoni
Logo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou as mudanças nas regras dos rendimentos da caderneta de poupança, o mercado imobiliário se viu ouriçado com as possibilidades de negócios que passariam a surgir após a alteração. Quem explica a razão de tamanho reboliço é Ariano Cavalcanti de Paula, presidente do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (Secovi-MG). “Isso vai permitir uma política monetária mais flexível, o que deve avançar na redução da taxa básica de juros [a Selic]. Essa redução se reflete no financiamento imobiliário, tornando-o mais acessível”, esclarece.

Para entender melhor as mudanças é preciso saber que 65% do dinheiro que é depositado nas poupanças são emprestados para a classe média investir na compra de imóveis. Desde a última quarta-feira (04/05), as novas contas de caderneta de poupança e os depósitos feitos a partir desta data passam a render da seguinte forma: enquanto a taxa Selic for maior do que 8,5% a.a., os rendimentos da poupança continuarão remunerando com 0,5% a.m + a Taxa Referencial (TR), como na regra antiga. Porém, quando a Selic for igual ou inferior a 8,5% a.a, a remuneração será igual a 70% da Selic + TR. O receio de quem aplica mais de R$ 50 mil na poupança é de que não compense guardar esse dinheiro na poupança. A melhor aposta, então, seria justamente o mercado imobiliário.

Eduardo Novais, da área de corretoras da CMI/Secovi/MG, diz que haverá reflexos da taxa de juros no Mercado imobiliário até o fim do ano

“Na verdade, o governo está desmotivando a aplicação monetária. Em vez de buscar a poupança com uma rentabilidade menor, e deixar parado na poupança, ele [o aplicador] vai investir em imóveis”, avalia Eduardo Novais, da área das Corretoras de Imóveis da CMI/Secovi-MG. O cenário que tem se formado parece ser um estimulador para o mercado imobiliário de vendas de imóveis para a classe média que, segundo Novais, estava estagnado no ano passado. “Tivemos o boom há uns dois anos, mas essa demanda se manteve e não cresceu mais. Agora estamos confiantes sobre o que há de vir”, ressalta. A expectativa de Novais é que a partir dessa semana já seja possível perceber números mais expressivos no mercado imobiliário. “Não deu tempo ainda de o mercado mensurar o que ocorreu, mas até o final do ano já teremos esse panorama”, almeja.
Um dos indicadores de que vem safra proveitosa por aí para o mercado foi o balanço do 8º Feirão da Caixa Econômica Federal, realizado no último fim de semana em Belo Horizonte e outras cinco cidades brasileiras. Ao todo, foram fechados 30.925 contratos, que equivalem a mais de R$ 4,6 bilhões em negócios. Em Belo Horizonte foram 6.301 contratos, equivalentes a R$ 946,6 milhões, nos três dias de Feirão.

Redução da taxa de financiamento
Outro fator que impulsionou a venda de imóveis no país nos últimos dias foi a redução dos juros do financiamento habitacional da Caixa Econômica Federal (CAIXA) em 21%. Os novos índices, válidos apenas para empréstimos firmados a partir do dia 4 de maio – data do início do 8º Feirão da Caixa, e que não sejam destinados ao programa do governo federal “Minha Casa Minha Vida”, foi anunciado no dia 25 de abril. Com isso, os imóveis de até R$ 500 mil que estejam no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e que eram taxados em 10% ao ano para o público geral tiveram uma redução da taxa para 9% ano. Já os clientes com “relacionamento”, ou que possuem conta com cheque especial e cartão de crédito e que eram taxados a 8,9%, viram a taxa cair para 8,4% ao ano.

Quem fizer a portabilidade para a CAIXA e passar a receber o salário pelo banco (regra criada em 2006 pelo Banco Central) será beneficiado com uma taxa de juros de 7.9% ano. Imóveis avaliados em mais de R$ 500 mil têm taxa de 11% ao ano para o público geral e de 10,5% para cliente com “relacionamento”. A redução das taxas fez com que o percentual caísse para 10% e 9,2% ao ano, respectivamente. Já o cliente que já recebe o salário pela Caixa paga 9%.

Eduardo Novais, da área das Corretoras de Imóveis da CMI/Secovi-MG, avaliou positivamente essa mudança. “Outro dia vi uma simulação que aplicava os novos valores da taxa de juros da CAIXA. Para se ter uma ideia, em um financiamento de 30 anos de um imóvel de R$ 200 mil era possível ter uma economia de R$ 38 mil”, destaca.

Presidente do Secovi/MG, Ariano Cavalcanti, acredita que a queda de juros torna a compra da casa própria mais fácil

Para Ariano Cavalcantti de Paula, presidente do Secovi-MG, os cortes nas taxas começarão a ser um grande chamariz para que a classe média adquira um imóvel, mas é preciso que o mercado imobiliário espere com cautela os resultados. “Uma pessoa que está comprando um imóvel deve começar a perceber que terá uma redução no valor das parcelas e no quanto isso é positivo”, afirmou.
A taxa máxima para financiamentos de imóveis, que são bancados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e que custam até R$ 170 mil também sofreu corte pela CAIXA. O juro reduziu de 8,47% para 7,9% ao ano, para clientes que recebem salários no banco. Caso o cliente seja cotista do FGTS, a taxa será de 7,4% ao ano.