Mercado imobiliário tem o pior momento desde 2004

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Cinco dos 12 indicadores mantiveram-se nos níveis mais baixos da série histórica do mercado imobiliário
Cinco dos 12 indicadores mantiveram-se nos níveis mais baixos da série histórica do mercado imobiliário
Novos dados do Radar Abrainc-Fipe apontam condições desfavoráveis do mercado imobiliário em setembro

As condições gerais do mercado imobiliário apresentaram nota média de 2,2 na escala entre 0 (menos favorável) a 10 (mais favorável), segundo o Radar Abrainc-Fipe de setembro, medido pela Fipe para a Associação Brasileira das Incorporadoras imobiliárias (Abrainc). Trata-se do menor patamar da série histórica, que tem início em janeiro de 2004.

Apesar da ligeira melhora no ambiente macro – em específico, o indicador de confiança -, o mês de setembro foi marcado pela queda nos indicadores referentes ao crédito imobiliário (-0,2), demanda (-0,3) e ambiente setorial (-0,4).

Acesse a série histórica do estudo aqui.

Ao todo, cinco dos 12 indicadores mantiveram-se nos níveis mais baixos da série histórica: emprego, massa salarial, atividade, preço dos imóveis e condições de financiamento. Em 2016, a nota média dada às condições gerais do mercado imobiliário acumula queda de um ponto, enquanto no horizonte dos últimos 12 meses, observa-se um recuo de 1,3 ponto, refletindo o quadro restritivo do crédito, a retração da demanda e o recuo da atividade do setor.

Para o vice-presidente executivo da Abrainc, Renato Ventura, a situação econômica ainda mostra condições limitadoras para o mercado imobiliário. “Vemos que o desemprego ainda se mantém em nível elevado, o que reflete, por consequência, uma dificuldade de retomada da economia”, analisa o executivo. Para ele, as famílias terão mais confiança para voltar a assumir compromissos de longo prazo quando a economia começar a mostrar sinais efetivos de recuperação.

Falta de confiança

O diretor da entidade, Luiz Fernando Moura, explica que um dos fatores importantes para a melhoria do setor, e da economia em geral, é a confiança, porém não é o único. “O que vemos é uma pequena melhora nesse indicador que é muito relacionado ao encaminhamento das questões políticas no País, mas as questões econômicas precisam mostrar uma evolução positiva”, diz Moura.

Vale lembrar: Na dimensão “Ambiente Macro”, por exemplo, há informações a respeito de variáveis e condições macroeconômicas da economia brasileira, que são Atividade, Confiança e Juros. Já no Crédito Imobiliário, a análise é coberta pelos indicadores Condições de Financiamento, Concessões Reais e Atratividade do Financiamento Imobiliário.

Em relação à Demanda, são interpretados dados de Emprego, Massa Salarial e Atratividade do Investimento Imobiliário. Por fim, a dimensão Ambiente Setorial mostra as análises de Insumos, Lançamentos e Preço dos Imóveis.

Metodologia 

O Radar Abrainc-Fipe combina 12 índices dos setores imobiliário e econômico em quatro dimensões: ambiente do setor, ambiente macroeconômico, demanda e crédito imobiliário, com dados desde janeiro de 2004.

Cada um dos indicadores possui uma metodologia própria de cálculo, desenvolvida para capturar a relação (interpretação) desejada entre a sua média e as condições enfrentadas pelo mercado ao longo do tempo. Dessa forma, são atribuídas médias de 0 a 10 para cada indicador, de modo que é possível apresentar todos os doze indicadores na mesma escala de pontuação.

Ao longo do tempo, as médias dos indicadores exibirão um comportamento correspondente à variação das condições do mercado imobiliário, assim o nível pode indicar se o cenário atual está: favorável e/ou estimula a atividade do setor; próximo à tendência histórica ou ao esperado para o momento; ou compromete e/ou desestimula o setor.

A divulgação do Radar Abrainc-Fipe é mensal e as fontes de coleta de dados são públicas.