Matemática: desafio na contratação de mão de obra

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kenioEm uma negociação vários tipos de conhecimento são exigidos, sendo comum uma pessoa talentosa e inteligente numa determinada área ou profissão tomar atitudes que a prejudiquem num negócio que não tem pleno domínio. A todo o momento vemos essas pessoas relatando situações que seriam evitadas, caso tivessem buscado uma assessoria especializada. Por isso, é um desafio a contratação de mão de obra.

Muita gente ignora que há sete tipos de inteligência: linguística, lógico-matemática, visual-espacial, musical, corpóreo-cinestésica, intrapessoal e interpessoal. Como advogado especializado em direito imobiliário e proprietário da Caixa Imobiliária-Netimóveis, não me aventuro em fazer uma defesa trabalhista, tributária ou criminal, pois meu cliente seria prejudicado por não ter a mesma competência de um expert nesses segmentos. Para ter maior margem de acerto e evitar prejuízos devemos contratar quem entende do assunto. Entretanto, parece que poucos se preocupam com uma questão fundamental: compreender a matemática específica do negócio. Exemplificando: o comprador de um imóvel ouve a explicação do vendedor que domina o ramo repleto de particularidades, e, tomado pela emoção e pressa, não faz as contas e nem reflete se o que está escrito é aquilo que foi exposto.

Em se tratando da compra de um imóvel, qualquer erro pode representar grande prejuízo.

Atraso na entrega

Diante do atraso na entrega do imóvel vendido na planta, constatam-se casos de construtora que renegocia com o comprador um desconto na prestação por algum tempo, dando a entender que compensou o prejuízo deste em razão do pagamento de aluguel onde mora e também o financiamento do imóvel comprado. São tantos detalhes nas cláusulas referentes ao preço, que o comprador não percebe que seu saldo devedor não foi reduzido nem um centavo, e assim concede quitação à construtora pelos prejuízos que esta causou com o atraso, sem efetivamente receber nada em troca.

Até mesmo profissionais experientes assinam contratos que lhes causam prejuízo, pois não estão habituados a compreender cálculos que envolvem percentuais, capitalização, amortização, compensação, e assim são surpreendidos posteriormente quando chega o boleto bancário com valores que nem imaginava. Outros descobrem que a dívida é bem maior que o vendedor disse que seria no momento da renegociação. Reclamam, porém esquecem que não leram o longo contrato, ou se o fizeram, não entenderam ou desconhecem as leis que são aplicadas ao caso. Preferiram economizar ao não contratar uma assessoria, pois por serem inteligentes e saberem de “tudo”, ignoraram-na. E dizem: “Nunca esperaria isso de uma grande empresa”. Certamente, se o dono dessa empresa agisse assim, não seria grande.

Kênio de Souza Pereira
Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG
Diretor da Caixa Imobiliária – Rede Netimóveis
e-mail: keniopereira@caixaimobiliaria.com.br – tel. (31) 3225-5599.