Lago Paranoá: Governo do DF retira cercas da orla

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A Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) retira construções irregulares na orla do Lago Paranoá (Valter Campanato/Agência Brasil)
A Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) retira construções irregulares na orla do Lago Paranoá (Valter Campanato/Agência Brasil)
A desocupação de áreas do Lago Paranoá foi determinada por ação judicial pedida pelo Ministério Público do Distrito Federal

Cercas do Lago Paranoá, em Brasília, estão sendo retiradas pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) . A ação começou na QL 12 do Lago Sul, área nobre de Brasília, e deve atingir mais de 400 imóveis da capital federal. As cercas estão sendo  derrubadas para a liberação de área de 30 metros a contar da margem do Lago Paranoá.

A Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) retira construções irregulares na orla do Lago Paranoá (Valter Campanato/Agência Brasil)
A Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) retira construções irregulares na orla do Lago Paranoá (Valter Campanato/Agência Brasil)

Vão ser retirados muros, cercas, portões e alambrados localizados em área pública e que impessam a circulação na margem do lago. A desocupação foi determinada por uma sentença judicial de 2011, em resposta a uma ação civil pública do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios em 2005. Serão mantidos píeres, gazebos e quadras esportivas construídos pelos moradores na faixa de 30 metros, até a conclusão do plano de uso e de recuperação da área, que será feito pelo governo distrital. Não ocorrerão remoções em terrenos escriturados dentro de área de preservação permanente e lotes da União e de embaixadas. A previsão é que os 80 quilômetros da orla estejam livres em dois anos.

A primeira casa a passar pela ação foi a do contador Sérgio Ferreira, 25 anos. Ele e a família decidiram, por conta própria, dar início à retirada da cerca ontem (23). Com a liberação da área determinada pela Agefis, foram removidos um campo de areia e metade de um campo de futebol, além de uma rampa para o acesso direto de embarcações às águas do lago. “A gente esperou até o último momento [para recuar as cercas], para ver se acontecia alguma coisa”, disse. “Não há planejamento dessa área. Eles [governo do Distrito Federal] ainda não sabem o que vão fazer, como vão fazer e de onde vão tirar dinheiro para fazer”, completou.

A arquiteta Sabrina Estrela, 38 anos, mora no Lago Sul, e compareceu ao local da ação para “prestar solidariedade” aos demais moradores. Ela reclamou que a área é alvo constante de assaltos e chamou a derrubada de cercas de “teatro”.

“Minha casa ainda não está no cronograma, mas estou sendo solidária à essa palhaçada que está acontecendo aqui. Quero saber se o governador vai vir aqui cuidar da gente, colocar segurança”, disse. “Se fizessem um parque legal, com playground, eu batia palmas, mas isso não vai acontecer.”

Já o observador de aves Tancredo Maia, 68 anos, aprova a medida. Ele contou que, como usuário de áreas verdes e parques em Brasília, sente falta de um maior acesso ao Lago Paranoá. “Desocupar a área é o mais importante. O que vem daí é consequência. Se tiver um parque projetado, será muito melhor. Se não tiver, não tem problema nenhum. A população se apropria desse espaço se tiver acesso a ela”, disse

Com informações Agência Brasil/EBC.