Juros menor deve aumentar volume de recursos para habitação, diz Caixa

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Crédito deve crescer ‘quando juros chegarem a 7,5%’, afirmou Hereda.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, afirmou que, com uma possível queda na taxa Selic, o volume de recursos para financiamento de habitação deve aumentar.

“Quando os juros chegarem a 7,5%, vai haver condição de financiar a habitação com recursos de tesouraria”, afirmou Hereda. Na prática isso quer dizer que os bancos podem resolver utilizar recursos próprios, e não apenas os da caderneta de poupança, por exemplo, para investir no setor habitacional, que, com a queda dos juros, se tornaria uma alternativa atraente de investimento.

“Você vai poder usar todos os recursos que tiver no mercado para habitação. Mas isso vai depender de cada banco”, ressaltou Hereda. Entretanto, o presidente da Caixa não quis precisar um período de tempo para isso ocorrer. “Pela velocidade com que os juros estão caindo, no médio prazo vamos ter essa situação”, comentou.

Segundo Hereda, a tendência é que os juros pagos por diferentes tipos de investimentos fiquem “cada vez mais iguais”, com a queda da taxa Selic. “É mais vantajoso emprestar dinheiro para linhas de financiamento com juros melhores”, afirmou ele. “Aumentaria a capacidade de crédito (para financiamento da habitação)”, complementou.

Caixa já emprestou 40% a mais em 2012
Jorge Hereda participou da abertura do 8º Feirão Caixa da Casa própria no Rio de Janeiro, no Riocentro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Em 2012, no Rio, vão ser ofertados 29.087 imóveis na planta, 4.172 imóveis novos prontos e cerca de 13 mil imóveis usados.
Ao todo, nas 13 cidades brasileiras onde o feirão vai ser realizado, vão ser oferecidos mais de 430 mil imóveis, segundo a Caixa Econômica Federal. “Neste ano, vamos ter um crescimento na venda de imóveis nos feirões entre 15% e 20%. Em 2011, foram fechados R$ 15 bilhões em negócios. Em 2012, esperamos fechar algo entre R$ 17,6 bilhões e R$ 18 bilhões”, disse Hereda.

Em 2012, segundo Hereda, a expectativa da Caixa Econômica é de emprestar cerca de R$ 90 bilhões, em todo o Brasil, para financiamento da casa própria, o que representa um aumento de 12,5% em relação aos R$ 80 bilhões emprestados no ano passado. “Já estamos em torno de R$ 30 bilhões até abril desse ano. Isso representa uma contratação 40% maior do que no mesmo período do ano passado. E o primeiro semestre costuma ter menos demanda do que o segundo”, ressaltou Hereda. Só pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, a expectativa é de vender 650 mil unidades, em 2012, de acordo com Hereda. O presidente da Caixa comemorou: “Isso tudo ocorre apesar de dizerem que o crédito vai diminuir.”
Juros estão mais baixos

Neste ano, os imóveis oferecidos, para todas as faixas de renda da população – no Rio, os valores das ofertas variam de R$ 75 mil a R$ 5 milhões, com média de preço de R$ 150 mil -, são financiados com juros que variam de 4,5% a 9% ao ano, com prestações decrescentes e prazo de pagamento de até 30 anos.

De acordo com a superintendente da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro, Nelma Tavares, no financiamento pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), os juros para financiar um imóvel de até R$ 500 mil caíram de 10% para 9%. “Os juros podem baixar até 7,9%, pelo SFH, para quem levar a conta-salário para a Caixa Econômica”, destacou ela. “Tem sempre um espaço para atender melhor aos clientes e oferecer juros melhores ao povo brasileiro”, complementou Hereda

Segundo Nelma, com a queda dos juros, a economia para quem financiar um imóvel de R$ 200 mil pode chegar a até R$ 3,5 mil ao fim do primeiro ano de pagamento das prestações. “Essa redução é para quem transferir a conta-salário”, explica ela. “Para quem pegar o financiamento com taxa de 9%, a economia será de R$ 1,8 mil, ao fim do primeiro ano”, concluiu.

Quem comparecer aos feirões da casa própria realizados em todo o país vai poder esclarecer dúvidas sobre as linhas de financiamento disponíveis e a assinatura de contrato. Os interessados em comprar um imóvel devem levar os seguintes documentos: identidade, CPF, comprovante de residência e os três últimos contracheques. Quem tem renda de trabalho informal, deve levar os seis últimos extratos bancários.

‘É importante não deixar criar bolhas’, diz Hereda
O presidente da Caixa alertou para a importância de se equilibrar a oferta e os preços dos imóveis. “Se o governo começar a aumentar os limites máximos para financiamento no primeiro sinal de queda de juros, acaba puxando a valorização dos imóveis. Dessa forma, os preços vão para o espaço”, alertou Hereda.

“Tem que se equilibrar duas coisas: não se pode travar o mercado e não pode deixar os preços dispararem”, ressaltou Hereda. “É importante não deixar criar bolhas”, finalizou.

Fonte: Bernardo Tabak, do G1, no Rio de Janeiro.

Patrick Costa é publicitário com especialização no Mercado Imobiliário e Gestão de Processos e Diretor Executivo da Rede IMVISTA.

patrick@imvista.com.br
twitter: @patrickcosta1