Investidores miram setor hoteleiro no Brasil

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Hotel Golden Tulip, que está sendo construído no centro de Belo Horizonte

Com um investimento de cerca de R$ 7,3 bilhões nos próximos três anos, o setor hoteleiro é um dos que mais vai receber investimentos no Brasil. Além de sediar os próximos grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o país tem a seu favor a economia aquecida e uma carência em hospedagens de qualidade. Esse constante crescimento se traduz principalmente em consideráveis mudanças na infraestrutura.

De acordo com o Guia 4 Rodas, principal fonte de consulta para viajantes, Belo Horizonte, uma das cidades-sede da Copa do Mundo, possui, atualmente, 56 hotéis classificados, sendo metade deles com acomodações regulares, com apenas uma estrela. Entretanto este número diverge do número divulgado pelo IBGE recentemente, que contempla em seu inventário um número muito maior de hotéis, uma vez que considera qualquer meio de hospedagem como oferta hoteleira, incluindo pensões, motéis e hotéis de 36 cidades vizinhas, que estão a menos de 100 km de Belo Horizonte.

Segundo José Aparecido Ribeiro, ex Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH – MG) e consultor especializado em hotelaria, esses dados refletem que, apesar de Belo Horizonte ser considerada um importante polo de investimentos, negócios e turismo no Brasil, a cidade precisa de melhorias imediatas na infraestrutura e em sua rede hoteleira. “Basta um evento de médio porte para a cidade lotar, obrigando executivos e turistas a um malabarismo pouco recomendável para uma cidade que pretende ter no turismo um dos seus carros chefes na geração de emprego e renda”, afirma. O especialista ainda chama atenção para o fato de que até hoje predomina a hotelaria familiar, mesmo a cidade sendo considerada uma metrópole.

Por ser um dos principais problemas enfrentados pelo Brasil na preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o setor hoteleiro do país já está passando por grandes reformulações. “Tanto a capital mineira, quanto as outras cidades-sede precisam de novos hotéis para suprir a grande demanda existente e a que está por vir. Tais empreendimentos estão chegando para revolucionar o mercado, já que a maior parte deles vem chancelada por grandes redes internacionais”, destaca.

Um dos exemplos é o Holiday Inn. Atualmente, a marca possui mais de 1.200 unidades da linha Holiday Inn Hotels & Resort e mais de 2.000 hotéis da bandeira Holiday Inn Express.

Maquete do Holiday Inn, uma das bandeiras internacionais da hotelaria que chega a BH

No Brasil, a marca já está presente e em pleno funcionamento em São Paulo, São Luis, Manaus, Fortaleza, Porto Alegre, Natal e Cuiabá. De olho na Copa e nas Olimpíadas, novas unidades com a bandeira Holiday Inn Express estão sendo construídas em Rio Branco, Maceió, Belém, Porto Velho, Cuiabá e Belo Horizonte. Na capital mineira, a bandeira internacional está sendo implantada em uma área privilegiada da Savassi, ao lado de diversas opções de negócios e entretenimento.

Uma das maiores preocupações dos investidores, porém, é a queda do turismo após 2016. Mas, se levarmos em consideração o Plano Aquarela 2020, lançado pelo Ministério do Turismo com a intenção de projetar o Brasil como um dos principais destinos turísticos, e um estudo feito pelo Comitê da Candidatura Brasileira aos Jogos Olímpicos, tal preocupação pode ser descartada. Segundo a entidade, estima-se que o impacto econômico dos eventos esportivos sobre o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro chegue a R$22 bilhões até 2016, enquanto que na década seguinte a influência será ainda maior, girando em torno de R$27 bilhões.

Com todos os investimentos feitos em torno do turismo e da rede hoteleira do Brasil, Ribeiro acredita que o retorno financeiro não será um problema para os investidores após os eventos esportivos. “O país vai passar por uma intensa substituição do inventário hoteleiro não só em números, mas também em qualidade e profissionalismo, o que garante rendimentos desejados”, afirma.