Indústria da construção civil continua em queda

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Teotônio Rezende acredita que possa haver queda de 10% a 18% nos preços no mercado imobiliário de algumas cidades
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A atividade e o emprego na indústria da construção civil caíram em setembro. O índice de evolução do nível de atividade ficou em 42,3 pontos, o menor da série histórica que começou em dezembro de 2009. Foi o décimo mês consecutivo em que o indicador se manteve abaixo da linha divisória dos 50 pontos. O índice de número de empregados no setor caiu para 43,1 pontos, também o menor desde 2011.

As informações são da Sondagem da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os valores da pesquisa variam de zero a cem. Abaixo de 50 revelam queda na atividade e no emprego.

O índice de evolução do nível de atividade da indústria da construção civil ficou em 42,3 pontos em setembro
O índice de evolução do nível de atividade da indústria da construção civil ficou em 42,3 pontos em setembro. Foto: Júlia Peres Andreotti

“O cenário negativo dos meses anteriores se intensificou. As quedas tanto do nível de atividade como do número de empregados foram mais intensas e disseminadas pelo setor”, diz a pesquisa. O indicador de utilização da capacidade de operação ficou em 67%, o mesmo nível de agosto, mas três pontos percentuais abaixo do registrado em setembro de 2013 e 2012.

Com o cenário desfavorável, cresceu, no terceiro trimestre, a insatisfação dos empresários da indústria da construção civil com a margem de lucro e a situação financeira das empresas. O indicador de satisfação com a margem de lucro caiu para 39,3 pontos e o de satisfação com a situação financeira ficou em 44,5 pontos. Ambos indicadores se afastaram ainda mais da linha divisória dos 50 pontos, que separa a satisfação da insatisfação.

O indicador de acesso ao crédito ficou em 37,8 pontos. “A dificuldade de acesso ao crédito prejudica o financiamento das atividades corriqueiras e dos projetos de investimentos de longo prazo”, avalia a CNI. Por outro lado, os preços das matérias-primas subiram de forma mais disseminada que no trimestre anterior. O indicador de preço médio das matérias-primas aumentou de 59,1 pontos no segundo trimestre para 62 pontos no terceiro trimestre.

Os empresários também estão pouco confiantes com o futuro. Em outubro, os indicadores de expectativas em relação aos próximos seis meses recuaram na comparação com setembro e estão abaixo dos 50 pontos, que separa as expectativas positivas das negativas. O indicador de nível de atividade ficou em 47,3 pontos, o de novos empreendimentos e serviços caiu para 47,4 pontos e o de número de empregados recuou para 46,8 pontos.

Tributos – De acordo com a pesquisa, no terceiro trimestre, o principal problema enfrentando pela indústria da construção continua sendo a elevada carga tributária, com 50,6% das assinalações. Em seguida, com 36,2% das menções, vem a falta de trabalhador qualificado e, em terceiro lugar, com 32,2%, das respostas dos empresários, aparece a falta de demanda. O setor também elenca as altas taxas de juros e o custo da mão de obra entre os principais obstáculos do terceiro trimestre.

A pesquisa foi feita entre 1º e 10 de outubro com 550 empresas, das quais 181 de pequeno porte, 241 médias e 128 grandes.

Fonte: CNI.