IMÓVEL NA CIDADE NOVA: ALUGO POR 17 MIL!!!

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Há pouco mais de dez anos moro na Cidade Nova. É um bairro legal, com ótima infraestrutura (bancos, supermercados, serviços etc.) e relativamente próximo ao centro. Desde que me mudei para lá, vivi um caos originado da rotina de obras com que cada prefeito marca sua presença na avenida Cristiano Machado, a principal referência do Crônica "IMÓVEL NA CIDADE NOVA: ALUGO POR 17 MIL!!!" por Eustáquio Trindadebairro. A do MOVE durou quase três anos e fez com que muita gente se mudasse de lá. Agora, obras terminadas, o trânsito continua tão ruim como antes e o bairro começa a viver outras rotinas igualmente perturbadoras. A primeira delas, a violência. A segunda, os preços abusivos dos imóveis — algo totalmente sem sentido.

Essa inflação imobiliária já ameaça, inclusive, os bairros vizinhos. União, Palmares, Ipiranga, Silveira, Renascença, tudo caríssimo… Esse descalabro pode ser medido na rua Alberto Cintra, que se tornou o principal point de convergência não só do bairro, mas de toda a região Nordeste. Há dezenas de bares e restaurantes. E também dezenas de lojas para alugar. Em média, a preços que variam de R$ 10 mil a R$ 17 mil. Muitos estabelecimentos abrem e fecham poucos meses depois. Esse movimento, intenso diariamente e praticamente insuportável nos fins de semana, é que, segundo alguns corretores, vem puxando pra cima os preços dos aluguéis.

Paulo Ricardo é corretor e começou a trabalhar na região há alguns meses. Diz que não consegue compreender o fenômeno. “Os preços estão irreais”, admite. E conta que, há dias, foi chamado para vender um apartamento de dois quartos, em prédio sem elevador, e o proprietário queria R$ 500 mil, só porque fica nas imediações da rua Alberto Cintra. “Avaliei o imóvel, que estava em bom estado, em R$ 250 mil, mas ele não concordou e passou a negociação para outra imobiliária. Paulo Ricardo concorda que, pelo menos em parte, a região ganhou muito com a efervescência da rua. “Houve geração de muitos empregos e a há turistas que já procuram a rua por seu polo gastronômico”, afirma.

No entanto, nem tudo são flores. O site Business Insider, de Nova York, listou a capital mineira no 44º lugar, entre as 50 cidades mais violentas do mundo. À frente — só para se ter uma ideia — do Rio de Janeiro e de São Paulo, que não entraram na lista. Beagá faz parte do seleto grupo que inclui Maceió, João Pessoa, São Luiz, Fortaleza e outras capitais brasileiras, a maioria do nordeste. Assaltos se tornaram rotina na Cidade Nova. Padarias e farmácias são as vítimas preferenciais. Há dias, um ex-presidiário foi metralhado na porta de uma academia de ginástica, no início da rua Alberto Cintra, com — pasmem!!! — 35 tiros dados por uma submetralhadora. Ouvi, dias depois, que um parente do mandante foi morto com 17 tiros. O movimento trouxe empregos, está gerando riqueza pra muita gente, mas trouxe, infelizmente o tráfico de drogas. Quem anda cobrando R$ 17 mil de aluguel de loja e quem quer vender apartamento de dois quartos em prédio sem elevador por meio milhão deveria começar a pensar nisso.

Eustáquio Trindade Netto é jornalista e professor de jornalismo.