Imóveis em São Paulo: vendas caem em fevereiro

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As vendas e os lançamentos de imóveis em São Paulo ainda estão longe da média dos últimos anos
As vendas e os lançamentos de imóveis em São Paulo ainda estão longe da média dos últimos anos
Em comparação ao mesmo mês de 2015, o resultado de vendas de imóveis em  São Paulo foi 14,2% superior

As vendas de imóveis em São Paulo caíram 12% em fevereiro, de acordo com a Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo Departamento de Economia e Estatística do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Em fevereiro, foram vendidas 836 unidades residenciais novas na capital paulista. Comparativamente às 950 unidades comercializadas em janeiro, o resultado foi 12% inferior, mas 14,2% superior às 732 vendas de fevereiro de 2015. 

Lançamentos – De acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), foram lançadas 171 unidades residenciais na cidade de São Paulo no mês de fevereiro, volume 82,1% inferior ao de janeiro (956 unidades). Em relação ao mesmo mês de 2015, a redução foi de 80,4%. 

No ano passado, o mercado de imóveis em São Paulo passou por um ajuste de mercado previsto pelo Secovi-SP, com redução de 37% dos lançamentos, o que significou 12,5 mil unidades a menos do que em 2014. Esta fase de ajustes poderá prolongar-se, criando incógnitas em relação ao comportamento do mercado em 2016. “É certo que a recuperação do setor vai depender muito dos rumos do País e da melhoria conjuntural, com aumento da confiança do consumidor e redução do estoque. Caso contrário, o mercado vai continuar a apresentar resultados aquém do esperado”, afirma o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary.

Análise por segmento

Tipologia – Novamente, os imóveis de 2 quartos predominaram em todos os indicadores da pesquisa de fevereiro, com 412 vendas, 163 lançamentos, oferta final de 9.801 unidades e VSO de 4,0%, confirmando o bom desempenho desse produto no mercado.

Preço – O melhor desempenho de comercialização medido pela relação das vendas com a oferta foi registrado para os imóveis com preços abaixo de R$ 225 mil (VSO de 10,9%). Nessa faixa de preço, a oferta é pequena, mas tem escoamento. A maior quantidade de vendas foi de imóveis com preço entre R$ 225 mil e R$ 500 mil, com 328 unidades comercializadas. Esta faixa também concentrou a maior quantidade de lançamentos no mês (95,3% do total). 

Região – A zona Norte da cidade de São Paulo apresentou o melhor desempenho de vendas e lançamentos, com 4,4% de VSO e 110 unidades lançadas. Nas vendas, destaque para a zona Leste, com 242 unidades comercializadas (28,9%). A região com a maior quantidade de imóveis ofertados foi a zona Sul, com 7.865 unidades.

Análise – Os dados da Pesquisa do Mercado Imobiliário de fevereiro merecem atenção, principalmente pela quantidade de lançamentos. Com apenas 171 unidades lançadas na cidade de São Paulo, o resultado é o menor registrado desde 2004. 

A redução no volume de lançamentos faz parte do ajuste de mercado iniciado em 2015. No acumulado de 12 meses, foram lançadas 21,2 mil unidades (a menor quantidade desde 2004) e comercializadas 20,5 mil. No mesmo período de 2015, foram lançadas 33,7 mil unidades e vendidas 21,0 mil unidades.

Se, por um lado, o mercado está diminuindo a quantidade de lançamentos devido às dificuldades que o País atravessa, por outro, existe um esforço de vendas por parte das incorporadoras para gerar caixa. “As empresas estão trabalhando com a comercialização de empreendimentos lançados anteriormente, e oferecendo condições mais atrativas, com descontos interessantes nos preços dos imóveis. Quem está à procura de imóvel para comprar ou até mesmo investir, este é o momento”, alerta Emílio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP. 

As vendas e os lançamentos de imóveis em São Paulo ainda estão longe da média dos últimos anos. “Somente no ano passado, o PIB da construção civil caiu 7,6%. Este é um dos subsetores da economia que mais sentiu os efeitos da crise. Foram demitidos 414 mil empregados no Brasil e, se não acontecerem mudanças políticas rapidamente, o mercado continuará apresentando resultados aquém dos esperados, pois a economia não terá fôlego e a confiança do País não será reestabelecida”, analisa Flavio Amary, presidente do Secovi-SP.