Imóveis em São Paulo: vendas caem 20%

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Imóveis em São Paulo de 2 quartos continuaram liderando as vendas, com 49,9%
Imóveis em São Paulo de 2 quartos continuaram liderando as vendas, com 49,9%
Em outubro foram vendidos 1.112 imóveis em São Paulo, de acordo com o Secovi-SP

As vendas de imóveis em São Paulo caíram 20% em outubro, em relação a setembro, de acordo com a  Pesquisa do Mercado Imobiliário realizada pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Em outubro, foram comercializadas 1.112 unidades residenciais novas com variação de -20% em relação aos 1.392 imóveis comercializados em setembro. Comparado ao mês de outubro do ano passado, quando foram vendidas 963 unidades, houve aumento de 15,5%. Cabe ressaltar que 2014 já apresentava uma base de comparação abaixo do normal, já que as eleições de outubro acabaram afetando o desempenho do mercado.

No acumulado do ano (janeiro a outubro de 2015), foram comercializadas 14.810 unidades residenciais novas, resultado 3,4% inferior ao mesmo período de 2014, quando as vendas totalizaram 15.337 unidades.

Imóveis de 2 quartos continuaram liderando as vendas, com 49,9% (555 unidades) do total comercializado em outubro, seguidos por imóveis de 3 dormitórios, com 28,3% (315 unidades), de 1 dormitório, com 20,1% (224 unidades), e de 4 ou mais dormitórios, com 1,6% (18 unidades).

O destaque do mês ficou por conta dos imóveis de 3 quartos, que ocuparam o segundo lugar em vendas. Nos dez meses do ano, esta posição foi ocupada três vezes pelo segmento. Nos outros sete meses, os imóveis de 1 dormitório mantiveram esta posição.

O VGV (Valor Global de Vendas) de imóveis em São Paulo atingiu R$ 617,1 milhões, volume 27,1% inferior ao de setembro, quando foram comercializados R$ 846,5 milhões, e 8,0% superior ao mês de outubro de 2014 (R$ 571,6 milhões) – ambos os valores atualizados pelo INCC-DI de outubro de 2015.

Lançamentos – De acordo com dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), em outubro foram lançadas 1.769 unidades residenciais na cidade de São Paulo, volume 67,4% superior ao mês de setembro (1.057 unidades lançadas). Em relação ao mesmo mês de 2014, houve queda de 29,6%. No acumulado do ano, a redução de lançamentos alcança 31,3%, confirmando que o mercado vem se ajustando.

Segundo a direção do Secovi-SP,  a queda nas vendas no ano reflete o ambiente desafiador que o País atravessa, em razão das crises política, econômica e institucional.

No terceiro trimestre deste ano, o PIB com ajuste sazonal encolheu 1,7% em relação ao segundo trimestre e 4,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Neste ano, aproximadamente 800 mil trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego, segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Um dos setores mais atingidos é a construção civil, que já demitiu mais de 255 mil trabalhadores em 2015 e que, no acumulado de 12 meses (novembro/14 a outubro/15), fechou mais de 442 mil vagas.

A inflação insiste em se aproximar dos dois dígitos e pouco vem sendo feito para melhorar a situação. A esperança de que o ambiente no país pudesse melhorar no ano que vem está sendo adiada para 2017. Mas, se não houver reação por parte do governo, dos empresários e dos consumidores, este círculo vicioso de negativismo dificilmente será quebrado.

A essa conjunção de fatores negativos soma-se, para a cidade de São Paulo, a implantação do PDE (Plano Diretor Estratégico), que trouxe parâmetros de construção excessivamente restritivos e que nesse ambiente econômico desfavorável resultará na redução muito forte da atividade imobiliária na cidade. “Construindo menos, a cidade vai gerar menos emprego e menos arrecadação”, diz Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação Imobiliária e Terrenos Urbanos do Secovi-SP. Também preocupa, segundo ele, a redução da oferta, após período de ajustes, que gerará desequilíbrio no preço dos imóveis e aumentará o déficit habitacional. “Neste quadro de recessão, que ainda poderá se agravar, o PDE e a Lei de Uso e Ocupação do Solo deveriam prever medidas temporárias de transição pleiteadas pelo Secovi, a fim de mitigar seus efeitos negativos no mercado e na economia municipal.”