Imóveis em São Paulo: vendas são as menores desde 2004

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A zona Leste teve o maior volume de vendas de imóveis em São Paulo em abril, com 493 unidades
A zona Leste teve o maior volume de vendas de imóveis em São Paulo em abril, com 493 unidades
De acordo com pesquisa do Secovi-SP, de janeiro a abril de 2016, foram vendidas 4.038 imóveis em São Paulo, enquanto a média para o período nos últimos 12 anos foi de 7,8 mil unidades

As vendas de imóveis em São Paulo registraram a maior queda em abril, desde 2004.  No mês, foram vendidas 1.182 unidades residenciais , segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP. O volume é 10,5% superior a março de 2016 (1.070 unidades), porém 46% inferior a abril de 2015 (2.185 unidades).

O desempenho dos lançamentos em abril foi melhor em relação a março, segundo a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio): 695 unidades, superando em 23% o volume do mês anterior (565 unidades). Mas na comparação com o mesmo mês de 2015, a redução foi de 78,7%.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, vendas e lançamentos de imóveis em São Paulo apresentaram o pior resultado dos últimos 12 anos. Foram comercializadas 4.038 unidades residenciais, o menor nível de vendas para o período se comparado à média de 2004 a 2015, que foi de 7,8 mil unidades. Os lançamentos totalizaram 2.387 unidades de janeiro a abril, a menor quantidade registrada desde 2004.

“A expectativa é que o governo implemente ações positivas na contenção de gastos públicos e promova, ainda este ano, ajustes que contribuam para devolver a necessária confiança à economia, ao mercado imobiliário e ao consumidor”, assinala o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary.

O Brasil tem uma demanda de 1 milhão de imóveis residenciais por ano, constituindo grande oportunidade de desenvolvimento econômico. Porém, para atender esta demanda, é necessário reverter as expectativas negativas da sociedade em relação à produção de novas unidades, ao financiamento e ao consumo.

Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos do Sindicato, acredita que haverá uma tênue recuperação da economia no segundo semestre, com diminuição da tendência de queda, e início de ligeiro crescimento em 2017.  “Com isto, o setor imobiliário poderá iniciar a superação de sua pior crise da história, com uma recuperação lenta e longa”, afirma.

Análise por segmento 

Tipologia – Em abril, os imóveis de 2 quartos  predominaram em todos os indicadores da pesquisa (729 vendas, 614 lançamentos, oferta final de 9.399 unidades e VSO de 7,2%), confirmando ser o produto com maior atratividade no mercado. No mês, foram lançadas somente unidades de 1 e 2 quartos. 

Área útil – Por faixas de área útil, imóveis com metragem abaixo de 45 m² lideraram os lançamentos (369 unidades) e as vendas (547 unidades). O índice VSO desse tipo de imóvel ficou em 6,8%. No mês, não foi lançada nenhuma unidade com mais de 85 m². 

Preço – Os imóveis com preços abaixo de R$ 225 mil lideram as vendas (470 unidades), acarretando no melhor desempenho de comercialização – medido por meio da relação das vendas com a oferta (VSO de 21,8%). Nessa faixa de preço, a oferta é pequena, mas há maior demanda, segundo explica o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.  A maior quantidade de lançamentos foi de Imóveis com preço entre R$ 225 mil a R$ 500 mil, com 327 unidades no mês.

Região – A zona Leste apresentou o maior movimento no mês, com 493 unidades comercializadas, 432 unidades lançadas e VSO de 8,1%. Não foram detectados lançamentos na zona Norte e no Centro, justamente as duas regiões com menor oferta de imóveis em São Paulo.