Gesso: solução que vem de cima

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Gesso na decoração

Pode parecer apenas um detalhe. Mas o rebaixamento do teto dos ambientes com gesso, agrega aos projetos características que vão muito além da estética

Para criar um projeto de interiores que ofereça conforto, funcionalidade e beleza, é preciso cuidar de cada elemento desde o piso até o teto, literalmente. Para os tetos, uma das soluções mais indicadas por profissionais do design de interiores, é o rebaixamento com gesso. Uma ideia versátil, que cai bem em vários tipos de projetos. “O rebaixamento pode ser especificado tanto para projetos comerciais quanto corporativos. Afinal, suas funções vão além da estética”, diz a designer de interiores Fabiana Visacro. 

O visual estético do forro “solto” é  permite que as paredes ganhem outras cores
O visual estético do forro “solto” é permite que as paredes ganhem outras cores

De acordo com a profissional, uma das principais atribuições que o gesso agrega é a capacidade de criar uma iluminação mais sofisticada. “O gesso é um grande aliado para se desenvolver um bom projeto luminotécnico. Sem ele é praticamente impossível criar a iluminação mais adequada para cada ambiente. Até existem outras opções, mas ele ainda é a mais viável”, analisa Fabiana.

O arquiteto Luis Fábio Rezende de Araújo concorda e lembra que o gesso é um elemento que permite camuflar no ambiente toda a infraestrutura do espaço. “Entre o forro e a cobertura podem estar as tubulações elétricas, hidráulicas (no caso de áreas molhadas no pavimento superior), cabos de automação, áudio, vídeo, caixas de som ambientes, câmeras de monitoramento e até projetores de imagem, no caso de uso do telão”, enumera.

o arquiteto Luís Fábio Rezende de Araújo lançou mão do gesso para embutir a infraestrutura e para dividir os ambientes. Foto: Daniel Mansur
o arquiteto Luís Fábio Rezende de Araújo lançou mão do gesso para embutir a infraestrutura e para dividir os ambientes. Foto: Daniel Mansur

“Em um dos meus projetos, fiz um forro em gesso sobre a sala de jantar, e ali instalei o projetor de imagem, as caixas de som e ainda abri um rasgo para um trilho de luz e uma sanca com iluminação indireta”, conta o arquiteto, lembrando que optou por limitar o forro de gesso apenas à sala de jantar, para criar uma divisão com os outros ambientes do projeto.

Fabiana Visacro também é adepta do gesso como recurso para dividir ambientes. “Utilizei o gesso, por exemplo, em um quarto de menina. Como o espaço reunia área de vestir, dormir, estudar e brincar, utilizei o gesso que forma um L com a parede colorida, delimitando a área de estudos”, conta a designer. O mesmo recurso também pode ser empregado em espaços comerciais. “Adoro usar o gesso para suprir este tipo de necessidade . Às vezes, temos ambientes integrados mas que precisam estar setorizados para não criar a ideia de confusão do espaço e desorganização. Foi o caso do projeto de um consultório odontológico que executei. Ao invés de criar obstáculos no ângulo de visão e tornar o espaço mais compacto, preferi deixar as duas salas integradas, mas delimitadas pelo detalhe de gesso e da iluminação”, recorda Fabiana.

No consultório odontológico executado por Fabiana Visacro, o gesso faz a divisão sensorial das duas salas. Foto Osvaldo Castro
No consultório odontológico executado por Fabiana Visacro, o gesso faz a divisão sensorial das duas salas. Foto Osvaldo Castro

Para quem se simpatiza com a ideia, a designer faz um alerta: “Não aconselho para ambientes onde o pé-direito seja muito baixo. Minha média é 2,60 m. Se tivermos essa altura ou mais, podemos usar o recurso sem medo”. Luís Fábio ratifica a sugestão de Fabiana e acrescenta: “Verifique se haverá lustre ou outros objetos fixados no forro, para que ele seja reforçado. Uma boa ideia é sempre optar pelo forro estruturado, que é mais resistente e tem a garantia de alinhamento perfeito”.

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