Flats (muito mais que hotel!)

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Quarto de um dos Flats no bairro Belvedere, em Belo Horizonte
Quarto de um dos Flats no bairro Belvedere, em Belo Horizonte
Antes restrito ao público corporativo, flats agora são opções para hóspedes de todos os perfis e classes

Gustavo Lameira

Os flats são apartamentos que oferecem serviço completo de hotelaria como camareira, lavanderia, telefonia, TV, internet, garagem, manobrista, portaria 24h e manutenção. O que o diferencia um flat dos demais quartos de hotel é sua característica de casa, contando no mínimo com cozinha americana e sala. As unidades podem ter até 120 m², dois ou três quartos, varanda, podem ser até coberturas. No entanto, os mais procurados são os singles, de 26 m² a 65 m².

O serviço de flat chegou a Belo Horizonte nos anos de 1980. Uma empresa do setor hoteleiro que já atuava no Rio de Janeiro trouxe o modelo de hospedagem para a região da Savassi.

A comodidade, conforto e privacidade dos flats sempre foram uma boa alternativa para quem estava fora de casa. Muito mais agora, com a vida corrida e cheia de compromissos, o segmento serve não apenas para quem viaja a negócios ou em férias, tornando-se um estilo de viver e morar.

Funcionais

Para o jornalista inglês Steffan Adams, de 24 anos, os flats são mesmo funcionais. Escrevendo para uma revista de língua inglesa, a Mining Leaders, especializada no setor de mineração, ele passa a maior parte do ano viajando. “Trabalho em algumas partes do mundo… África, América Latina e aqui no Brasil, principalmente em Belém e Minas Gerais, onde fico em média de um a dois meses”. Mas toda essa comodidade tem preço alto: Steffan considera os serviços de hotelaria bem mais caros no Brasil que na Colômbia, por exemplo. A locação mensal de um flat varia de R$ 1.500 a 5 mil.

As despesas e o apartamento são divididos com uma colega, que trabalha para a mesma publicação. “Usamos a maioria dos serviços do flat, mas sempre vamos ao supermercado, cozinhamos em casa, às vezes um almoço, às vezes, jantar”, disse.

Investimento 

O proprietário de um flat pode morar no imóvel ou investir no segmento. Neste caso, pode optar pela locação direta ou contratar os serviços de uma administradora, o chamado pool de locação, – o sistema mais adotado.

Perspectiva da fachada de Flat no Bairro das Mansões
Perspectiva da fachada de Flat no Bairro das Mansões

A vantagem do pool é a de o proprietário tornar-se sócio de um hotel sem ter que se preocupar com o lado burocrático e a rotina do negócio: seleção ou prospecção de hóspedes, cobranças e conservação do apartamento ficam sob a responsabilidade da administradora. O lucro final do pool também é dividido por igual, independentemente de qual unidade tenha sido mais locada.

A turismóloga Andréia Rocha, 30, investe em flats desde 2009. Depois da experiência em uma grande rede de hotéis, decidiu saber mais sobre o setor e apostou nele, em parceria com a mãe. Seus imóveis estão na região Centro-Sul de Belo Horizonte, considerada mais estratégica e onde se estabeleceu a maioria do ramo. Seus hóspedes mais comuns são os executivos, engenheiros, funcionários transferidos e estudantes de medicina. Mas, atualmente, públicos das classes A, B e C procuram pelo serviço.

– As pessoas que escolhem os flats, em geral, têm maior nível de escolaridade. São pessoas que por estarem num momento de mudança de cidade, buscam algo com a mesma praticidade de uma residência. A maioria é de solteiros, no máximo casal sem filhos.

Variação de preços

Os preços de hospedagem variam ao longo do ano, sendo o primeiro e o último trimestre os períodos de cotações mais baixas. “De março a outubro o movimento é maior, devido aos eventos e feiras na capital, com perfil voltado para negócios”, explica. Ainda segundo Andréia, os hóspedes que decidem ficar mais tempo, dependendo da administração, podem optar por contratar ou não os serviços, por meio sistema pay per use (pague pelo uso). “Uma opção bem mais barata que morar em hotel”, recomenda.

Flats para as Copas
Natália Dornas
Natália Dornas

De acordo com Natália Dornas (Hotéis Arco), o anúncio de eventos internacionais na capital mineira aqueceu o setor, há muito estagnado. As copas das Confederações e do Mundo também mudaram o ponto de concentração desses empreendimentos, antes restritos aos bairros nobres de Belo Horizonte. “A maioria dos novos projetos está de fato na região Centro-Sul, na Savassi; mas, agora, existe também uma grande oferta no vetor Norte, por conta da Linha Verde”.

O San Diego Suítes é o primeiro hotel na orla da lagoa da Pampulha, na capital mineira
O San Diego Suítes é o primeiro hotel na orla da lagoa da Pampulha, na capital mineira

Na rede de hotéis em que trabalha há uma diversidade de clientes, no entanto o flat ainda é o estilo de hospedagem preferido pelo mercado corporativo, com estadia média de três dias. O lançamento mais recente da Arco é o San Diego Suítes Pampulha, o primeiro hotel da orla da lagoa.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH/MG), Belo Horizonte tem 110 meios de hospedagem (hotéis, aparte-hotéis, hotéis de lazer, pousadas e albergues), e a região metropolitana (em um raio de 100 km), 310, disponibilizando um total de 32.598 leitos. Outros 52 novos hotéis estão licenciados; destes, 40 estão em construção. Até 2014, a expectativa é que BH e região tenham um total de 53.946 leitos, distribuídos por 489 locais de hospedagem.