EDITORIAL – Especulação imobiliária na região Nordeste de BH

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Em um recente Feirão de Imóveis realizado em Belo Horizonte, a família de Ana Jacinta da Silva, moradores de um barracão alugado no Bairro União, região Nordeste da cidade, juntou as economia e partiu com tudo para compra de seu maior sonho: um imóvel na Cidade Nova ou na parte baixa do União, onde os dois bairros fazem sua divisa. Por causa da especulação imobiliária, os R$ 180 mil economizados pela família não foram suficientes e o sonho foi adiado. Ou transferido para outra região mais remota da cidade, onde ainda é possível encontrar imóveis a esse preço.

O fato ilustra bem não apenas o surto de valorização que envolve a região Nordeste, mas também parte da realidade do atual boom imobiliário em que a capital mineira está inserida. Na Cidade Nova, e nos bairros adjacentes, entre os quais o União, que já pleiteia mudar o nome para “Alta Cidade Nova”, a fim de usufruir algumas benesses do vizinho mais rico, preços de imóveis têm levado muitos a refletir até que ponto essa valorização se baseia em critérios reais ou é apenas parte de uma pressão de fatos do momento — ascensão da classe C, Linha Verde, Copa do Mundo etc. É um caso a pensar.

A região, que até bem pouco tempo era alvo apenas de construtoras de médio porte, já vem sendo cobiçada pelas grandes construtoras ou pelas que se dedicavam ao segmento dos imóveis de alto luxo. O resultado disso tudo é que imóveis de R$ 250 ou R$ 300 mil já são raros na região. No Bairro União já há prédios de R$ 1 milhão com três vagas na garagem, enquanto o preço médio na Cidade Nova já anda pela casa dos R$ 550 mil. Tudo isso em nome da Copa do Mundo, da Linha Verde e do novo status da Classe C. A Copa do Mundo, por enquanto ainda é uma incógnita; a Linha Verde, de verde não tem nada nos horários de pico; e a classe C já começa a achar que está pagando um preço muito alto em sua maratona para chegar à classe B.