Em Santa Efigênia, protetora dos militares, o problema é… Segurança!

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1º Batalhão de Polícia Militar, na Praça Floriano Peixoto, no Santa Efigênia
1º Batalhão de Polícia Militar, na Praça Floriano Peixoto, no Santa Efigênia

Gustavo Lameira

O bairro de Santa Efigênia tem parte de sua área nas regiões Leste e Centro-Sul de Belo Horizonte. O nome é uma homenagem à padroeira dos militares. O 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM) foi fundado em 1897, junto com a cidade; em 1902, foi construída a Capela de Santa Efigênia dos Militares, e em 1914, o Hospital Militar. Contraditoriamente, o maior problema do bairro é a falta de segurança.

Conforme o traçado original, Belo Horizonte seria dividida em seções urbanas, suburbanas e colônias agrícolas. No entanto, o crescimento desordenado, já nos primeiros anos, mudou os planos e a cara da cidade. Um exemplo disso foi a Favella ou Alto da Estação (próximo à Rua Sapucaí, onde hoje está o bairro Floresta), ocupado em 1895 por operários que trabalhavam na construção da capital. Em 1902, a prefeitura interveio, removeu cerca de 300 barracos e transferiu os moradores para o local onde atualmente estão os bairros São Lucas e Santa Efigênia. As ocupações irregulares foram combatidas, com maior empenho, até os anos 1920. Outros responsáveis pelo crescimento e (des) estruturação de Santa Efigênia e de outros bairros da região Leste são a linha férrea e o Ribeirão Arrudas.

O lado leste

O bairro é tipicamente familiar e a maioria é de moradores antigos, mas já foi mais tranquilo, de acordo com Carlos Antonio Outeiro, o Kal, da Associação Comunitária dos Moradores do Paraíso e Santa Efigênia.

— A violência aumentou demais depois que abriram a Avenida Mem de Sá (o programa de moradias populares Vila Viva, do bairro Serra, inaugurou a Avenida Cardoso, ligando a Mem de Sá, em Santa Efigênia, à Rua Caraça, no aglomerado). Tem muito roubo de carro, muito assalto a residências e comércios. Como a avenida ficou muito larga, e não tem quebra-molas nem sinais de trânsito, acabou virando rota de fuga e pista pra disputa de “pegas”.

No dia 16/12/12, funcionários de um supermercado do bairro foram feitos reféns. Os bandidos agrediram o gerente, jogaram álcool no corpo dele e ameaçavam atear fogo, caso o cofre não fosse aberto. Somente com a chegada da tesoureira, que tinha a senha do cofre, os suspeitos liberaram as vítimas e fugiram levando R$ 10 mil. “A terceirização do 190 da PM para empresas de call center dificulta o atendimento; a Rede de Vizinhos Protegidos é insuficiente; e o principal, precisamos de mais patrulhamento nas ruas”, listou.

O vandalismo impera
Moradores ainda reclamam da iluminação precária e do não funcionamento da Escola Municipal Santos Dumont, no turno da noite, o que deixa o prédio vulnerável à ação de criminosos e ao vandalismo. O problema de enchentes e alagamentos na Mem de Sá foi resolvido, “mas, com a sujeira que vem lá de cima, já precisa de limpeza, de manutenção”, alerta.

De acordo com a Sudecap, estão em andamento obras de urbanização das Vilas Marçola, Nossa Senhora da Conceição e de Fátima, Santana do Cafezal, Novo São Lucas; dos Becos Hetelvino, São Sebastião e Rua Mica, além de melhorias no canal do Córrego da Serra e Rua da Passagem, todos vizinhos a Santa Efigênia. Há ainda a promessa de extensão do Boulevard Arrudas até o bairro São Geraldo. Por meio do Orçamento Participativo (OP 2013/14), a associação de moradores garantiu para região a urbanização da Vila São Rafael e a instalação da Academia da Cidade (ao ar livre) para o bairro Paraíso.

O Boulevard Shopping é um dos atrativos do comércio em Santa Efigênia
O Boulevard Shopping é um dos atrativos do comércio em Santa Efigênia

As vantagens de Santa Efigênia são sua área hospitalar; a proximidade com o centro; linhas de ônibus para diversas regiões da cidade; duas estações de metrô (Santa Tereza e Santa Efigênia); uma pista de Cooper, construída na marginal da Avenida dos Andradas, e um comércio que emprega os moradores. Destaque para o Boulevard Shopping. Mas, segundo a liderança comunitária, o lado Leste ainda carece de rede bancária, já que conta apenas com uma agência do Bradesco. Margarida Maria dos Reis, da Rua Euclásio, faz uma referência à proximidade da área hospitalar:

— É boa, mas precisam dar um jeito nos médicos, nas enfermeiras e demais funcionários, que insistem em transitar de jalecos pelas ruas do bairro, espalhando bactérias… Eles pegam até o transporte suplementar, que é tal e qual uma lata de sardinha, de tão apertado!

Falta de sinalização é um dos problemas da Rua Niquelina
Falta de sinalização é um dos problemas da Rua Niquelina

Rua Niquelina
Carla Mello cresceu e cria os filhos em Santa Efigênia. Seu pai foi dono de restaurante por 30 anos; ela teve uma pronta-entrega de roupas, por mais de dez. Há 22, tem um salão de beleza no bairro, além dos atendimentos em domicílio. Instalada na Rua Niquelina, umas das principais da região leste, a comerciante não tem o que reclamar do ponto, mas muito da segurança no trânsito.

— Desde que transformaram a Niquelina em mão-única, tem acidente todo dia. A rua não tem sinalização, não tem quebra-molas, é cheia de curvas e ficou muito veloz. Já vi várias mortes aqui por atropelamento e batidas. O 9403 (ônibus que faz a linha Paraíso-Caiçaras) bateu na porta da minha casa, e só não invadiu por causa das barras de ferro que estavam no meu passeio. Nos já pedimos, a BHTrans está sempre aqui, mas ainda não resolveram nada.

Moradora há quase 40 anos, Carla diz que só sairia de Santa Efigênia para viver em Santa Tereza, do outro lado do Ribeirão Arrudas. “Porque são bairros muito parecidos, perto daqui, perto de tudo”.

A área hospitalar
O bairro de Santa Efigênia é bastante verticalizado, mas as casas ainda predominam. No lado Centro-Sul, está a área hospitalar, tomada por clinicas, consultórios, óticas, farmácias, funerárias, lojas de equipamento e matérias cirúrgicos e de importantes hospitais como Santa Casa de Misericórdia, Mário Penna, Hospital Militar, Unimed, a Faculdade de Medicina e Hospital das Clínicas da UFMG e o Pronto Socorro João XXIII. Margarida Maria dos Reis tem outra reclamação. Ela acha que não “pega bem” as funerárias expondo caixões nas calçadas. “Não é sempre, mas tem umas que deixam lá e a impressão é terrível”, define.

O trânsito no local é intenso, pelo volume diário de pacientes em carros particulares, táxis e ônibus que atendem a região hospitalar; pelas ambulâncias e vans que trazem mais pacientes da RMBH e de outras cidades do estado para consultas e tratamentos, e pela unidade II do Restaurante Popular. Estacionar é praticamente impossível. Para amenizar o problema, o governador Antonio Anastasia sancionou a Lei 20576, de 21/12/2012, que garante até 60 minutos de estacionamento gratuito em hospitais e centros de saúde do estado, para embarque, desembarque, acomodação e socorro de pacientes em casos de urgência e emergência. Os principais corredores de trânsito do lado Centro-Sul de Santa Efigênia são as avenidas Brasil, Francisco Sales, Alfredo Balena; as ruas Dos Otoni e Álvares Maciel, e as praças Hugo Werneck e Floriano Peixoto, esta adotada e bem cuidada pela Unimed-BH.

Segundo o corretor Fábio Gomes (Dimensão Imóveis), toda essa agitação mais a proximidade com a Savassi valorizam ainda mais os imóveis. Um apartamento de três quartos tem preço médio de R$ 500 mil para venda e de três mil para aluguel. Na parte Leste do bairro, um imóvel similar custa 350 mil para venda e 1.100 mil/mês para aluguel.

Em Santa Efigênia ainda estão o Colégio e Faculdade Arnaldo, o Teatro Sesiminas, o Jornal Hoje em Dia, o supermercado Extra e a Câmara dos Vereadores. Toda sexta-feira é realizada no lado Centro-Sul a tradicional Feira das Flores, sob árvores centenárias, na Avenida Bernardo Monteiro.