Decoração de restaurantes deve ter sintonia com a gastronomia

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Tijolos queimados, madeira de demolição, couro, espelhos e cerâmica artesanal caracterizam a concepção decorativa e gastronômica do Parrilla Porteña. Foto: divulgação

Planejar a decoração de restaurantes e espaços gastronômicos é uma tarefa que exige certos cuidados. Além da escolha detalhada dos materiais usados, o projeto deve levar em conta a funcionalidade estrutural para funcionários e clientes e a disposição estratégica da cozinha, além de estar em sintonia ao perfil gastronômico do bar ou restaurante.

Decoração de restaurantes. Tijolos queimados, madeira de demolição, couro, espelhos e cerâmica artesanal caracterizam a concepção decorativa e gastronômica do Parrilla Porteña. Foto: divulgação

O arquiteto João Carlos Moreira Filho, responsável pelo projeto do restaurante Parrilla Porteña, tradicional casa de grelhados argentinos e uruguaios localizada no BH Shopping, na capital mineira, explica que ao se propor um projeto é importante considerar qual a imagem se deseja passar. “Por se tratar de um restaurante tipicamente portenho, mas com toques brasileiros, optou-se pelo uso de materiais quentes e rústicos, como o couro e a madeira de demolição. Em contraste, a regionalidade e a delicadeza ficam por conta do uso da palha natural e da cerâmica artesanal nas cadeiras. O resultado dessa combinação reforça o conceito de tradição, que a casa tem algo para contar e compartilhar, assim como em um regional restaurante latino”, explica Moreira Filho.

A concepção decorativa também deve estar em sintonia ao caráter gastronômico. “O restaurante é uma casa de carnes e esse conceito foi usado nas luminárias. O uso do preto fosco por fora e do bonina por dentro remete aos cortes de carne: corado externamente, mas ao ponto por dentro”, exemplifica. O especialista explica ainda que a visibilidade do carro-chefe da casa – nesse caso, a parrilla – é um atrativo a mais para quem está no salão. “A arquitetura deve ser um artifício de incentivo a conhecer novos sabores e vivenciar novas experiências, sejam elas sensitivas ou gustativas”, completa.

Já no Provincia Di Salerno, o objetivo é transportar o cliente para o universo e cultura italiana. O próprio chef Remo Peluso traz itens para a decoração temática diretamente da Itália. São mais de 2.500 peças entre máscaras de Florença e Siena, estantes, espelhos, peças de porcelana e quadros brasileiros de asas de borboleta – muito comuns na década de 40 e que não se fazem mais, por sinal. “Cada item tem uma história de uma viagem minha a terra de meus pais e compõe um ambiente único. Quem vem apreciar uma típica massa italiana, não tem dúvida que está no lugar certo quando entra aqui”, comenta o chef.

No Provincia di Salermo, 2.500 peças transportam o cliente para o universo e cultura italiana. Foto: Jô Moreira

No Bar e Restaurante Casa Cheia Savassi, a arquiteta e design de interiores Maura Braga explica que o projeto resgatou elementos da primeira unidade, localizada no Mercado Central. A ideia foi trazer o clima da casa, tradicional em Belo Horizonte, para a Savassi. Para isso, o balcão voltado para cozinha revestido com os clássicos tijolinhos, também presentes no Mercado, foi instalado durante a reforma. “O Casa Cheia foi inaugurado há mais de 30 anos, e ainda conserva algumas características dos primeiros bares abertos na capital. Manter essa história viva levou o projeto da casa da Savassi a conservar o balcão para os clientes se sentarem voltado para a rua e para a cozinha, com os tijolinhos presente na unidade do Mercado. Já a decoração, consiste no porcelanato parecido com a palha e a peneiras de fibra, artigos comprados, inclusive, no Mercado Central”, completa.

 Projeto resgata concepção da casa no Mercado Central, sem deixar de lado o requinte da localização privilegiada na Savassi. Foto: Rafael Tavares
Projeto do Casa Cheia resgata concepção da casa no Mercado Central, sem deixar de lado o requinte da localização privilegiada na Savassi. Foto: Rafael Tavares

Maura ressalta que para os projetos decoração de restaurantes e bares a cozinha deve ser elaborada observando alguns cuidados que contribuem para o asseio ambiente. No Casa Cheia, a cozinha foi totalmente reformulada, utilizando azulejos com tamanhos maiores para facilitar a limpeza e rejunte com material antifungos.

Clima descontraído
Recém-inaugurado no 4º piso do BH Shopping, o bistrô Vinces Wine & Coffee investiu em uma estrutura que agregasse conforto, comodidade e segurança para os clientes. Marcado pela diversidade e por muito bom gosto, o bistrô possui um espaço interno charmoso e aconchegante, que se estende até uma ilha no corredor do mall, com clima mais descontraído. “A maior parte do nosso público é formada por executivos e profissionais que utilizam o espaço para reuniões empresariais, almoço/jantares de relacionamento ou mesmo para ter um momento de privacidade para trabalhar. Criamos um ambiente que pudesse atender com eficiência, pensando em detalhes como localização, tipo de luz e até posição do mobiliário”, explica o diretor, Diocélio Goulart.

Com 105 metros quadrados, o bistrô possui um espaço moderno e versátil, com cadeiras em cadeiras em acrílico e poltronas acolchoadas, e apresenta um ar mais rústico, moldado pelo mesas e prateleiras em madeiras de demolição. “Todos os detalhes devem estar em conformidade com o conceito do espaço e com as necessidades do público-alvo. Nosso objetivo é alcançar a excelência em todos os âmbitos”, reflete Goulart.

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