Decisão da PBH chega tarde para quem perdeu casas no Buritis e Caiçara

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Prédios condenados no bairro Buritis. Um deles desabou e o outro foi demolido

A medida de aumentar a segurança nas edificações a partir do decreto publicado no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte (DOM), na última quinta-feira (29/03), veio tardiamente, na opinião de Lucas Piumbini – um dos moradores do prédio Vale dos Buritis, no bairro Buritis, na região Oeste da capital, que desabou em janeiro. “Agora que a gente já perdeu nossas casas não adianta muito, mas é importante que se tomem providências sobre o assunto”, afirma.

Os moradores aguardam a realização de uma perícia oficial que aponte as causas dos desabamentos tanto no bairro Buritis – Art Vivre e Buritis – , quanto no Caiçara, na rua Passa Quatro, na região Noroeste. O laudo pericial será adicionado ao processo para que o juiz defina os culpados pelos desabamentos e defina as indenizações.

A Justiça obrigou a Estrutura Engenharia, responsável pela construção do prédio onde Lucas morava, a pagar um aluguel no valor de R$ 1,500,00 para cada um dos seis proprietários dos apartamentos. O valor, porém, não tem sido suficiente para arcar com as novas despesas das famílias. “A gente paga R$ 1.700,00 de aluguel e ainda tem condomínio e IPTU. Além de arcamos com um gasto que não tínhamos antes, a gente ainda lida com o fato de não estarmos na nossa casa”, reclama.

A angústia desses moradores para voltar a ter suas casas deve ainda demorar.Marcado para ser divulgado nesta sexta-feira (30), o laudo que deve mostrar a situação do terceiro prédio da rua Laura Soares só deve ser conhecido em abril. A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou não ter uma data provável para a liberação do documento.

O prazo para entrega dos trabalhos de contenção da encosta na avenida Protásio de Oliveira Penna, no bairro Buritis  foi estendido para 60 dias. De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), ainda serão necessários 15 dias de trabalhos de terraplanagem para entrega da obra, que tinha prazo final de 30 dias. No último dia 20 foi finalizado o muro de contenção. O custo total da obra é de R$ 800 mil.

Para o presidente do Instituto Mineiro de Engenharia Civil (Imec), Marcelo Fernandes, parte do atraso pode ser justificado pelo período de chuvas. “Durante a temporada de chuvas é arriscado continuar as obras, já que aumenta o risco de acidentes durante o trabalho. Mas a gente precisa ver também que esse período já está no fim”, comenta.