Custo de construção em BH sobe 6,28% em março

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A mão de obra aumentou 11,79% no custo de construção em março em BH
A mão de obra aumentou 11,79% no custo de construção em março em BH
Esta é a maior alta do custo de construção da nova série histórica iniciada em 2007 

O Custo de construção Unitário Básico (CUB/m² – projeto-padrão R8N) na capital mineira registrou alta de 6,28% em março em relação ao mês anterior. Essa variação, a maior da nova série histórica iniciada em 2007, sofreu grande influência do custo com a mão de obra, que neste mês aumentou 11,79%. Os demais componentes do CUB/m² apresentaram os seguintes resultados: material de construção: -0,55%, despesas administrativas: 9,10% e aluguel de equipamentos: 0,00%.

O coordenador sindical do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), economista Daniel Furletti, explica o motivo do maior incremento do custo: “Em março foi assinada a Convenção Coletiva de Trabalho, que estabelece novos pisos salariais. A mão de obra tem peso significativo no cálculo do custo setorial (54,96% em março) e, por este motivo, o CUB/m² apresentou essa maior elevação”.

O custo do metro quadrado de construção em Belo Horizonte, para o projeto-padrão R8-N (residência multifamiliar, padrão normal, com garagem, pilotis, oito pavimentos-tipo e três quartos) que em fevereiro/16 era R$1.183,37 passou para R$1.257,73 em março/16. O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução do preço de material de construção, mão de obra, despesa administrativa e aluguel de equipamento. É calculado e divulgado mensalmente pelo Sinduscon-MG, de acordo com a Lei Federal 4.591/64 e com a Norma Técnica ABNT NBR 12721:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O coordenador sindical do Sinduscon-MG destaca: “Apesar da alta registrada em alguns materiais como o vidro liso transparente (+4,11%), a placa de gesso (+2,21%), a bacia sanitária branca (+1,31%) e a esquadria de correr (+1,11%), observou-se que alguns itens mantiveram seus preços (brita, bloco cerâmico, janela de correr, etc.) e outros apresentaram queda, entre as quais se destacaram: o fio de cobre antichama (-2,67%), o aço CA 50 10 mm (-2,66%), a chapa compensado (-2,23%) e o tubo de ferro galvanizado (-2,19%). No geral o custo com material de construção apresentou queda de 0,55% em março”.

Furletti não espera estabilização do quadro  “Nos próximos meses esperamos uma maior estabilização dos custos do setor em virtude das difíceis condições da economia, caracterizada por uma forte recessão, desemprego crescente e taxa de juros elevada. Além disso, as expectativas para a inflação, medida pelo IPCA/IBGE, já apontam patamares menores do que aqueles observados anteriormente. A última pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central (22/04) projetou alta de 6,98% para o IPCA/IBGE em 2016. Há cerca de um mês a expectativa era que o referido indicador encerrasse o ano com aumento de 7,43%”, ressalta.

Resultado acumulado no primeiro trimestre de 2016: Nos primeiros três meses de 2016 o CUB/m² acumulou alta de 7,20% enquanto o custo com material de construção cresceu 0,04%, o custo com a mão de obra aumentou 12,31%, as despesas administrativas subiram 19,83% e o custo com o aluguel de equipamentos apresentou estabilidade. Neste período, alguns materiais se destacaram pela expressiva variação em seus preços como a porta interna semi-oca para pintura (+5,94%), a placa de gesso (+5,61%), o tubo de PVC-R rígido (+3,67%), a esquadria de correr (+3,64%), o vidro transparente 4mm colocado com massa (+2,62%) e o bloco cerâmico (+2,50%).

Acumulado nos últimos 12 meses (abril/15-março/16): Nos últimos doze meses encerrados em março/16 o CUB/m² (projeto-padrão R8-N) registrou alta de 8,63%. Esse resultado refletiu aumentos nos seguintes custos: 3,07% no material de construção, 12,31% na mão de obra, 19,83% na despesa administrativa e 16,81% no aluguel de equipamentos. Entre os materiais que apresentaram elevações em seus preços, neste período, se destacaram: a porta interna semi-oca para pintura (+16,28%), a placa de gesso (+14,48%), a emulsão asfáltica (+12,55%) e o tubo PVC-R rígido (+10,28%).

Custo de construção desonerado

O CUB/m² desonerado aumentou 5,97% em março/16 acumulando elevação de 6,92% nos primeiros três meses de 2016 e de 8,44% nos últimos 12 meses (abril/15-março/16).

A metodologia de cálculo do CUB/m² e do CUB/m² desonerado é a mesma, ou seja, ambos seguem as determinações da Lei Federal 4.591/64 e da ABNT NBR 12.721:2006. A diferença encontra-se no percentual de encargos sociais incidentes sobre a mão de obra. No CUB/m² que não considera a desoneração da mão de obra, os encargos previdenciários e trabalhistas (incluindo os benefícios da Convenção Coletiva de Trabalho) totalizam 187,70%. Já no CUB/m² desonerado, os encargos previdenciários e trabalhistas (também incluindo os benefícios da Convenção Coletiva) somam 154,01%.