Construção civil tem queda de confiança em Minas Gerais

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O Índice de Confiança da Construção civil de Minas Gerais recuou pelo terceiro mês seguido ao passar de 49,4 pontos em abril para 46 pontos em maio
O Índice de Confiança da Construção civil de Minas Gerais recuou pelo terceiro mês seguido ao passar de 49,4 pontos em abril para 46 pontos em maio
Estudos do Sinduscon-MG apontam queda da confiança dos empresários da construção civil, aumento do custo do setor e redução do índice de emprego no setor

A construção civil em Minas Gerais passa por um momento delicado. O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) recuou pelo terceiro mês seguido ao passar de 49,4 pontos em abril para 46 pontos em maio, o que correspondeu a queda de 3,4 pontos. O indicador apontou falta de confiança dos empresários, ao ficar abaixo da linha de 50 pontos – valor que separa a confiança da falta de confiança.

O resultado foi 3,2 pontos inferior ao apurado em maio de 2017, interrompendo uma sequência de 24 meses de melhora na comparação anual, e ficou abaixo da sua média histórica (49,8 pontos) pelo segundo mês consecutivo. No acumulado dos primeiros cinco meses do ano o Iceicon-MG acumulou queda de 5,3 pontos, sendo que o resultado de maio foi o pior dos últimos nove meses. O Iceicon nacional também registrou redução entre abril e maio (53,8 pontos).

Os dois componentes do Iceicon-MG condições atuais e expectativas – explicaram o recuo do indicador. Os índices variam de 0 a 100 pontos e valores abaixo de 50 pontos indicam situação pior e expectativa negativa, respectivamente.

Negócios recuam no setor

O índice de condições atuais, que mede a percepção dos empresários com relação à situação atual dos negócios, recuou 2,3 pontos, passando de 44,2 pontos, em abril, para 41,9 pontos, em maio. O indicador foi 1,5 ponto inferior ao registrado em maio de 2017, descontinuando uma sequência de 22 meses de melhora na comparação anual. O índice está abaixo de 50 pontos desde novembro de 2012 e o resultado de maio é o pior desde agosto de 2017.

O componente de expectativas, que sinaliza as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses, caiu 3,7 pontos frente a abril, e registrou 48,2 pontos em maio. O indicador mostrou pessimismo dos construtores, após oito meses de resultados acima de 50 pontos, e foi 3,9 pontos inferior ao apurado em maio de 2017.

Custo da construção civil em Belo Horizonte sobe 0,17% 

Depois de registrar aumento de 1,45% em abril, em função da elevação do custo com a mão de obra, em maio/18 o Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m² – projeto-padrão R8-N) registrou alta de 0,17%. Dentre os seus componentes observou-se que somente o custo com material aumentou em maio: 0,44%, enquanto mão de obra, despesas administrativas e aluguel de equipamentos permaneceram estáveis.

O custo do metro quadrado de construção em Belo Horizonte, para o projeto-padrão R8-N (residência multifamiliar, padrão normal, com garagem, pilotis, oito pavimentos-tipo e três quartos) que em abril/18 era R$1.358,47 passou para R$1.360,82 em maio/18. O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução do preço de material de construção, mão de obra, despesa administrativa e aluguel de equipamento. É calculado e divulgado mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) conforme a Lei Federal 4.591/64 e de acordo com a Norma Técnica NBR 12721:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Na composição do CUB/m² (projeto-padrão R8-N) a mão de obra representou, em maio, 56,19% do custo, os materiais de construção responderam por 39,53% e as despesas administrativas/aluguel de equipamentos foram responsáveis por 4,28%.

Aumento nos preços de mateirais de construção

O coordenador sindical do Sinduscon-MG, economista Daniel Furletti destaca: “Estamos acompanhando com muita preocupação o aumento que começou a acontecer com mais intensidade nos materiais de construção. As justificativas para isso têm sido o aumento do frete. A Construção não pode ser ainda mais penalizada do que já está sendo. O setor, que responde por mais de 50% dos investimentos do país e é um grande gerador de mão de obra, depois de registrar queda superior a 20% nos últimos quatro anos, iniciou 2018 com redução em suas atividades. Na comparação do primeiro trimestre de 2018 com o último trimestre de 2017, a queda observada em seu Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,6%, enquanto a economia nacional registrou resultado positivo (+0,4% nesta mesma base de comparação). As projeções de crescimento para a Construção, que no início do ano eram de 3%, agora são de crescimento bem mais modesto:0,5%”.