Construção Civil em Minas espera crescer 2% em 2018

0
212
Em um ano, o número de trabalhadores com carteira assinada na construção civil em Minas Gerais caiu 4,09%. Foto: Joffi/Pixabay.com
Em um ano, o número de trabalhadores com carteira assinada na construção civil em Minas Gerais caiu 4,09%. Foto: Joffi/Pixabay.com
Sinduscon-MG avalia que, depois de quatro anos seguidos de queda, expectativa é de retomada das atividades da construção civil no estado

A construção civil em Minas Gerais deve crescer 2% em 2018, segundo expectativas do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). É o que apontam os dados do balanço anual do setor, divulgados neste mês.  Depois de quatro anos sucessivos de quedas (2014 a 2017), com retração acumulada de 25,86%, a expectativa é de crescimento no próximo ano, acompanhando a tendência nacional de retomada econômica.

De janeiro a setembro de 2017, o PIB da Construção Civil em Minas Gerais caiu 7,7%, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O mercado de trabalho formal no setor sente os efeitos da queda de atividades. Apesar de registrar resultados positivos no estado no período de janeiro a outubro de 2017 (geração de 6.882 novas vagas) o saldo dos últimos quatro anos ainda é bastante negativo (-111.050 postos de trabalho).

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o número de trabalhadores com carteira assinada na construção, que em outubro de 2016 era de 142.796, passou para 136.957 em igual mês neste ano: redução de 4,09%. “Tivemos um retrato ruim deste ano, mas foram plantadas sementes positivas para 2018. O mercado não é linear e o ano que vem reserva boas expectativas. Estamos esperando um ano de recuperação e números positivos no setor da Construção Civil”, avalia o vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG, José Francisco Cançado.

Cenário macroeconômico melhor

Opinião reforçada pelo economista e coordenador sindical do Sinduscon-MG, Daniel Furletti. “Vemos bons ventos para 2018! Do ponto de vista macroeconômico estamos melhores se compararmos aos dois últimos anos. Mas, precisamos ainda de mais reformas. A da Previdência está em andamento, mas precisamos que as reformas Tributária e Administrativa também aconteçam”, analisa.

Queda no estoque

Entre os dados do mercado imobiliário de Belo Horizonte e Nova Lima, o que chama a atenção é o baixo estoque. Os números apontaram 3.694 unidades residenciais disponíveis para comercialização em outubro de 2017, o menor patamar da série histórica (outubro/15) e abaixo da média de 5.000 unidades mantida pelo mercado.

De janeiro a outubro deste ano, o número de apartamentos vendidos (1.669 unidades) foi 198% superior aos lançamentos (560 unidades), que, por sua vez, caíram 73,58% em relação a 2016. Ao todo, foram lançados 18 empreendimentos residenciais de janeiro a outubro de 2017.

“O estoque baixo eleva o preço dos imóveis novos a índices superiores a inflação. De janeiro a outubro deste ano, o preço médio do metro quadrado em BH e Nova Lima (R$ 7.873) subiu 4,39%, enquanto a inflação neste período, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE), foi 2,21%. Mesmo assim, ainda é o momento ideal para comprar um imóvel. Caso a recuperação esperada se confirme, podem faltar unidades na região e haverá ainda mais impacto no preço”, avalia a assessora econômica do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos.

Do total de imóveis novos disponíveis para comercialização em Belo Horizonte (3.694 unidades), 23,8% estão localizados na região da Pampulha, 17,1% na Centro-Sul e 15,1% em Venda Nova. As regiões Nordeste e Barreiro apresentaram o menor número de unidades novas em estoque, 136 e 132, respectivamente.

Regiões de destaque

Na capital mineira, as regiões Centro-Sul, Oeste e Pampulha foram as que mais se destacaram na comercialização de imóveis, sendo responsáveis por 25,8%, 22,7% e 18,8%, respectivamente, do total das vendas (1.669 unidades) nos primeiros dez meses de 2017. Centro-Sul e Oeste também foram as que mais apresentaram lançamentos de imóveis residenciais neste período e, juntas, respondem por 383 das 560 unidades lançadas: 68,4% do total.

Os padrões que registraram o maior número de vendas foram: médio, com tíquete de R$400 mil até R$ 700 mil (459 unidades); standard, de R$215 mil até R$ 400 mil (339 unidades); econômico, até R$ 215 mil (251 unidades); e alto padrão, de R$700 mil até R$ 1 milhão (226 unidades). Já nos lançamentos, o padrão standard está à frente, com 203 unidades. Em seguida: alto (105 unidades), médio (88 unidades) e luxo, de R$1 milhão até R$ 2 milhões (68 unidades). A faixa econômica totalizou apenas 64 unidades lançadas.

“Justamente onde há maior déficit habitacional, o número de lançamentos foi pouco expressivo. Isso mostra dificuldade no financiamento e alto índice de burocracia para aprovação dos projetos e licenciamento ambiental, um dos nossos maiores desafios. A burocracia aumenta o ciclo conclusivo do produto e deixa as empresas com dificuldade de girar o estoque e gerar novos negócios”, detalha Geraldo Linhares, vice-presidente do Sinduscon-MG.