Construção civil em Minas Gerais tem queda na confiança

0
306
O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção civil de Minas Gerais (Iceicon-MG) caiu pelo quarto mês consecutivo, saindo de 46 pontos em maio para 43,1 em junho. Foto: Sinduscon-MG/Divulgação
O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção civil de Minas Gerais (Iceicon-MG) caiu pelo quarto mês consecutivo, saindo de 46 pontos em maio para 43,1 em junho. Foto: Sinduscon-MG/Divulgação
Falta de confiança dos empresários é intensificada em junho e custo da construção civil  tem a segunda maior alta do ano

A construção civil em Minas Gerais passa por um momento difícil. O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção civil de Minas Gerais (Iceicon-MG) caiu pelo quarto mês consecutivo, saindo de 46 pontos em maio para 43,1 em junho, marcando o pior nível dos últimos 11 meses. Pela terceira vez seguida, o Iceicon-MG manteve-se abaixo da linha de 50 pontos, indicando falta de confiança dos empresários da construção mineira.

O indicador foi 3,2 pontos inferior ao apurado em junho de 2017 e acumulou queda de 8,2 pontos no primeiro semestre de 2018. O Iceicon nacional também recuou em junho (48,2 pontos), frente a maio (53,8 pontos), e voltou a apontar falta de confiança dos empresários do setor no Brasil.

Os dois componentes do Iceicon-MG – condições atuais e expectativas – influenciaram a queda do indicador. Os índices variam de 0 a 100 pontos, e valores abaixo de 50 pontos indicam situação pior e expectativa negativa, respectivamente.

Condições do setor pioraram

O índice de condições atuais, que mede a percepção dos empresários com relação à situação atual dos negócios, recuou 4,9 pontos na passagem de maio (41,9 pontos) para junho (37 pontos). Vale ressaltar que essa foi a maior queda mensal do indicador em quase quatro anos. O resultado foi 3,1 pontos inferior ao registrado em junho do ano passado, e o pior desde janeiro de 2017 (35,3 pontos). O índice encontra-se abaixo de 50 pontos desde novembro de 2012.

O indicador de expectativas, que sinaliza as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses, recuou pelo quarto mês consecutivo entre maio (48,2 pontos) e junho (46,3 pontos). O índice mostrou pessimismo dos construtores pelo segundo mês sucessivo, após oito meses de resultados acima de 50 pontos, e foi 3,5 pontos inferior ao de junho de 2017.

Sobre o Iceicon-MG

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) é elaborado pela Gerência de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

Custo da construção civil aumentou 0,49% em Belo Horizonte

O Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m² – projeto-padrão R8-N) aumentou 0,49% em junho, a segunda maior alta do ano, ficando atrás somente da elevação observada em abril/18 (1,45%). O resultado de junho é justificado pela alta de 1,22% no custo com materiais de construção. Dentre os demais componentes do CUB/m² verifica-se que o custo com a despesa administrativa registrou elevação de 0,20% enquanto os custos com a mão de obra e com equipamentos permaneceram estáveis.

O custo do metro quadrado de construção em Belo Horizonte, para o projeto-padrão R8-N (residência multifamiliar, padrão normal, com garagem, pilotis, oito pavimentos-tipo e três quartos) que em maio/18 era R$1.360,82 passou para R$1.367,48 em junho/18. O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução do preço de material de construção, mão de obra, despesa administrativa e aluguel de equipamento. É calculado e divulgado mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) conforme a Lei Federal 4.591/64 e de acordo com a Norma Técnica NBR 12721:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Na composição do CUB/m² (projeto-padrão R8-N) a mão de obra representou, em junho, 55,92% do custo, os materiais de construção responderam por 39,82% e as despesas administrativas/aluguel de equipamentos foram responsáveis por 4,26%.

Alta de materiais de construção

A alta de 1,22% observada no custo com materiais de construção foi a maior desde outubro/2008 (1,64%). Entre os materiais que apresentaram aumento em seus preços em junho/18 destacaram-se: fechadura para porta interna (+4,80%), esquadria de correr (+4,26%), aço CA-50 10 mm (+3,54%), bacia sanitária branca com caixa acoplada (+3,28%) e emulsão asfáltica impermeabilizante (+3,03%).

Para o coordenador sindical do Sinduscon-MG, economista Daniel Furletti o aumento expressivo que está sendo observado no custo com materiais de construção pode refletir no preço dos imóveis. “Com o baixo patamar de estoque de novas unidades disponíveis para comercialização, a pressão exercida nos custos tende a influenciar diretamente o preço dos imóveis. Conforme a pesquisa realizada pela Brain Consultoria, para o Sinduscon-MG, em Belo Horizonte e Nova Lima o estoque disponível para venda em abril/18 era de 3.912 unidades residenciais novas, um dos menores patamares da série histórica da pesquisa iniciada em 2015”, destaca o coordenador.

Furletti ainda ressalta que além do aumento preocupante observado no custo com materiais, a Construção Civil sente os efeitos das apreensões com o futuro da economia nacional. “A incerteza eleitoral, a mudança do cenário externo, o baixo ritmo de recuperação da atividade econômica, a greve dos caminhoneiros e as suas consequências e a queda da confiança, além de gerar incertezas nas projeções de novos investimentos provoca dúvida sobre o fortalecimento do desenvolvimento do País, reduzindo cada vez mais as chances de crescimento do setor. Após quatro anos consecutivos de queda, o crescimento projetado para o setor, em 2018, é de apenas 0,5%.”

Acumulado no período de janeiro a junho/18  

No primeiro semestre do ano o CUB/m² (projeto-padrão R8N) registrou alta de 2,77%. Já o custo com material aumentou, neste período, 2,90% e o custo com a mão de obra 2,53%. O custo com a despesa administrativa cresceu 5,00% enquanto o custo com aluguel de equipamentos ficou estável. Os materiais que registraram as maiores elevações de preços foram: esquadria de correr (+19,94%), emulsão asfáltica impermeabilizante (+14,67%), cimento CP 32 (+10,71%) e fio de cobre (+10,67%).

Acumulado nos últimos 12 meses 

Nos últimos 12 meses o CUB/m² (projeto-padrão R8-N) registrou alta de 3,37%, o que foi reflexo das seguintes variações: 4,37% no custo com material de construção, 2,53% no custo com a mão de obra, 5,00% nas despesas administrativas e 7,20% no aluguel de equipamentos. Os materiais que apresentaram maiores elevações em seus preços nos últimos 12 meses foram: esquadria de correr (+24,19%), fio de cobre antichama (+16,90%), emulsão asfáltica impermeabilizante (+15,65%), porta interna semi-oca para pintura (+12,58%) e disjuntor tripolar 70 A (+11,31%).

Resultado do CUB/m² desonerado

O CUB/m² desonerado aumentou 0,52% em junho18, acumulando alta de 3,46% no primeiro semestre do ano e 4,10% nos últimos 12 meses (jul/17-jun/18).

A metodologia de cálculo do CUB/m² e do CUB/m² desonerado é a mesma, ou seja, ambos seguem as determinações da Lei Federal 4.591/64 e da ABNT NBR 12.721:2006. A diferença encontra-se no percentual de encargos sociais incidentes sobre a mão de obra. No CUB/m² que não considera a desoneração da mão de obra, os encargos previdenciários e trabalhistas (incluindo os benefícios da Convenção Coletiva de Trabalho) totalizam 188,16%. Já no CUB/m² desonerado, os encargos previdenciários e trabalhistas (também incluindo os benefícios da Convenção Coletiva) somam 157,69%.

Expectativas negativas 

Os índices da Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais do mês de maio continuaram apontando recuo da atividade e do emprego, com resultados abaixo da linha de 50 pontos – valor que separa queda de aumento. O indicador de nível de atividade em relação ao usual registrou, mais uma vez, retração, e marcou o menor valor desde março de 2017.

Todos os índices de expectativa pioraram em relação ao mês anterior e ficaram abaixo de 50 pontos, o que sinaliza perspectiva de retração da atividade, da compra de insumos e matérias-primas, dos novos empreendimentos e serviços e do número de empregados nos próximos seis meses. O indicador de intenção de investimento ficou estável, e permaneceu abaixo da sua média histórica (30,3 pontos).