Construção civil encerra 2017 com queda de 6%

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Prédios inacabados e com obras paradas são comuns na construção civil pelo país
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Indústria da construção civil tem queda pelo terceiro ano consecutivo

A indústria da construção civil encerra o ano com retração ela terceira vez consecutiva: uma queda de 6% em 2017, segundo o balanço anual da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). No acumulado da crise iniciada em 2014, o total de postos de trabalho perdidos ultrapassa o patamar de 1 milhão. Embora com sinais de reação da economia brasileira, os números da construção civil e do mercado imobiliário ainda são alarmantes. “Não existe retomada de desenvolvimento com sustentabilidade que não seja baseado no investimento. Se você não investir, você não eleva o Brasil”, destacou o presidente da CBIC, José Carlos Martins.

A retração em 2017 impactará ao menos em 0,5% negativo a economia deste ano. A cadeia produtiva do setor da construção, que já teve participação de 10,5% no Produto Interno Bruto brasileiro, agora representa 7,3% de um PIB menor. “Temos a doença, o diagnóstico, mas não um remédio adequado que tenha servido nos últimos tempos”, compara Martins.

Falta investimento em infra-estrutura

A recuperação da indústria depende de três fatores essenciais identificados por dirigentes e empresários do setor: o investimento em infraestrutura, especialmente em projetos de concessões e parcerias público-privadas; o restabelecimento do crédito, com a retirada de impedimentos a financiamentos; e a melhoria no ambiente de negócios, com iniciativas voltadas a segurança jurídica e desburocratização.

A expectativa é de pequena recuperação já a partir do próximo ano – 2% positivos – caso as medidas propostas pelo setor da construção sejam atendidas pelo Executivo e Legislativo. “Acreditamos demais em 2018, muito mais pela necessidade que o País tem da gente do que propriamente pelos números que temos aqui”, comentou confiante o presidente da CBIC. No entanto, o economista Luís Fernando Melo Mendes alertou que “é imprevisível imaginar qual seria o número negativo uma vez que essas questões não avancem”. Em um cenário de inércia governamental, a chance de nova retração é muito grande.