Condomínio: omitir-se é um pecado

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Conviver é uma arte, especialmente num condomínio, onde residimos ou trabalhamos com muita proximidade e compartilhamos áreas e equipamentos comuns. É normal a multiplicidade de pensamentos, valores, níveis socioculturais, o que leva a comportamentos e posicionamentos diferentes. A troca de ideias de maneira livre e respeitosa é essencial para manter a tranquilidade nos locais onde passamos a maior parte de nossas vidas, pois a cada dia surgem edifícios com mais áreas de lazer, que aumentam a convivência e consequentemente as possibilidades de choques de interesses.

Muitos problemas são agravados por falta de diálogo, sendo comum algumas pessoas se calar ou não reclamar para evitar um possível conflito. Alguns justificam sua posição ao entender que não tem solução e assim me faz lembrar a frase de Rui Barbosa “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto verem agigantarem os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

O resultado é o surgimento de prédios onde há grande rotatividade de pessoas, pois mudar-se passa a ser uma boa solução. Isso não é nada saudável, pois diante da omissão, o infrator se sente à vontade para continuar a agir de maneira indevida, havendo casos que nem ele sabe que sua atitude é indesejável. Devemos entender que há algumas pessoas que não se tocam, talvez porque não tiveram uma boa orientação ou não têm “desconfiômetro”, já que foram criadas como “reis”. Assim, vale citar a frase de Henry Ford: “Ajude o próximo a ajudar-se a si mesmo”, pois a omissão poderá aumentar o problema. Numa assembleia devemos buscar soluções e não nos perdermos em remoer os defeitos ou queixar-se do passado.

Deixar para depois não ajuda a melhorar o ambiente no condomínio e inibe o seu progresso. A experiência comprova que, “o homem que se dedica a esperar até que as coisas melhorem, verificará mais tarde que, aqueles que não esperaram e prosseguiram em seu trabalho, já se encontram tão adiante que jamais poderão ser alcançados”.

Faça a diferença
É normal numa reunião haver posicionamentos antagônicos, sendo inaceitável que a opção negativa ou pior prevaleça numa votação, justamente porque as pessoas sensatas deixam de comparecer à assembleia diante das atitudes deselegantes. Ao adotar essa postura de preservar-se, a pessoa acaba propiciando situações que consagram obras irregulares, perpetuação de síndicos que não prestam contas e causam prejuízos, dentre outros. E depois, ficar reclamando nos corredores não adianta.

Para termos um condomínio saudável devemos lutar pelo nosso direito e manter a capacidade de nos indignar perante a atitude de pessoas que desrespeitam seus semelhantes. Assim, nos orienta Martin Luther King Jr, um dos grandes nomes da nossa história: “Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira”. “O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos”. “Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.” “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.”

Kênio de Souza Pereira
Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG
Representante em MG da Associação Brasileira de Advogados do Mercado Imobiliário. E-mail: keniopereira@caixaimobiliaria.com.br