Casa própria não precisa ser nova, basta ser sua

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Financiamento de imóveis usados facilitam o sonho da casa própria
Depois de muita pesquisa, o casal Luciana e Leonardo comprou um apartamento financiado; eles já amortizaram parte da dívida, antes do vencimento das parcelas

Planos de financiamento de imóveis usados são a melhor opção para quem não

pode esperar pela construção e não se importa em adaptar o espaço para a sua realidade

Ana Clara Otoni

O governo tem ampliado os programas de habitação por meio dos Programas de Aceleração do Crescimento (PAC) 1 e 2. O foco no plano da habitação é a geração de emprego e renda e a redução do déficit habitacional do país. Apesar do Minha Casa, Minha Vida — programa de auxílio ao financiamento de imóveis novos — há quem opte por comprar um apartamento ou casa usados. As vantagens estão no preço, já que podem-se encontrar casas e apartamentos que já tenha atingido o ápice de valorização e sejam oferecidos por preços agradáveis, na pronta-entrega do imóvel e no tamanho da residência, projetos de 20 anos atrás oferecem espaços mais amplos dos tradicionalmente construídos hoje em dia. Prova disso, era o tamanho das famílias, com média de três filhos, e a disponibilidade de área para construção. Em 2010, de acordo com o Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci) havia quatro milhões de imóveis usados disponíveis no Brasil.

Encontrar o seu cantinho em um espaço que já pertenceu a outras pessoas pode ser uma tarefa difícil, mas que vale a pena quando tudo é colocado na ponta do lápis. Foi o que aconteceu com o casal Leonardo Guimarães, 39, e Luciana Rodrigues d’Anunciação, 33, que com apenas três anos e meio de casamento comprou um apartamento de 10 anos de construção no bairro Salgado Filho, na região Oeste da capital mineira. “Ficamos um mês e meio procurando apartamento. Tínhamos ideia da faixa de preço e da região onde queríamos morar. Meu marido visitou uma dúzia de apartamentos até encontrarmos este”, relembrou Luciana da saga pela casa própria.

Além disso, eles estavam morando em um imóvel alugado e não tinham como esperar por um consórcio. A ideia era mudar logo para a casa nova, mesmo que ela não fosse tão nova assim. “Nosso apartamento tem dez anos, mas foi utilizado por apenas dois anos. Ele precisava de pequenas intervenções, então trocamos as tomadas, colocamos os armários e ele tinha acabado de ser pintado”, lembrou Luciana.

Antes de colocar os pés na casa própria, porém, é preciso que eles estejam firmes na realidade. É o que diz o coordenador regional de habitação da Caixa Econômica Federal, Marivaldo Araújo Ribeiro. “Primeira dica para quem quer comprar um imóvel é que a pessoa não sonhe em vão. Ela deve entrar no site da Caixa e usar o simulador para saber qual é o valor de imóvel que ela pode comprar com a renda que tem”, aconselha Ribeiro. Tendo em mãos essa informação, a pessoa deve procurar um imóvel que atenda as necessidades da família. “A casa própria é um sonho e o empréstimo é de longo prazo, por isso é importante ter certeza sobre o imóvel escolhido”, alerta o coordenador.

Luciana e Leonardo, na época em que compraram o apartamento, ganhavam cerca de dois salários mínimos cada um. Eles fizeram a simulação e descobriram que teriam que comprar um apartamento avaliado em até R$ 100 mil. “Mas para financiar, juntamos cerca de R$ 10 mil e retiramos o meu FGTS. Além disso, conseguimos um subsídio complemento de R$ 2 mil”, conta Luciana. O total alcançado pelo casal foi uma entrada de R$ 20 mil para o financiamento do apartamento usado avaliado em R$ 97 mil.

A importância de um bom planejamento

Luciana e Leonardo deram passos acertados até chegar à casa própria. Além de economizarem para dar uma entrada adequada ao financiamento, eles fizeram uma amortização de R$ 3 mil da dívida no meio do ano passado. No início do plano, o valor da parcela total paga pelo casal era de R$ 620 – incluindo o valor do seguro compulsório e a manutenção da conta corrente, da qual a parcela é descontada, sob juros de 4,5% ao ano. “Agora, esse valor é de R$ 565 e a cada mês é reduzido R$ 1 dessa prestação. O financiamento foi feito para 30 anos, ou 300 parcelas, mas queremos diminuir esse tempo na medida em que amortizamos o valor do financiamento”, calcula Luciana. A atitude do casal foi elogiada pelo coordenador regional de habitação da Caixa Econômica Federal, Marivaldo Araújo Ribeiro. “Na primeira oportunidade que a família tiver ela deve quitar mais e mais a dívida. As parcelas são decrescentes, o que compromete cada vez menos o orçamento familiar. Antes, as prestações eram atreladas aos salários o que era um problema, pois se a pessoa fosse promovida, mudasse de emprego ou passasse a ter uma melhor condição de vida tinha, obrigatoriamente, de pagar uma parcela maior no financiamento”, comenta Ribeiro.