Casa Cor Minas: o resgate do Design

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Originalmente, a palavra design se refere à concepção ou à elaboração de um artefato que pode ser reproduzido em série. Pode-se afirmar que design é um projeto. Alguns profissionais da Casa Cor Minas Gerais trabalham com esse conceito e produzem os próprios móveis para seus ambientes. A arquiteta e designer Angélica Araújo é um exemplo. Ela explica que o processo de criação é um momento que envolve o passado, o presente e todas as percepções sobre o mundo para produzir o novo. “Todos temos a mente povoada por informação, experiência e estímulos. O cotidiano traz referências que traduzo nos móveis. O papel do designer é perceber e levar essas sensações para os móveis”, afirma.

O principal objetivo da designer é criar o simples. Segundo ela, esse é o novo luxo, que não é mais a ostentação. “O novo luxo se refere à qualidade de vida e ao aconchego”, pontua. E com esse conceito, Angélica estuda seus projetos para criar novos produtos. “Não crio um móvel por criar. O meu produto tem um conteúdo agregado, que é o desejo do homem contemporâneo”, afirma. A principal questão é a busca da qualidade aliada à beleza, à flexibilidade e que o produto seja atual, mesmo com o passar dos anos. “Os móveis devem ser funcionais e compactos e ter um conteúdo técnico e estético reconhecido com o tempo. Pensado para durar”, enfatiza.

Segundo Angélica, a ideia é criar produtos que seduzam não só o olhar ou que só atendam a uma função, mas que estimulem todos os sentidos. “Aconchegante e sustentável são as palavras de ordem. Foco nos desejos e nas necessidades do homem atual. Aspiro à originalidade. A ideia é criar o novo, sem abrir mão das referências passadas. O ser humano tem essa ânsia pela novidade. Além disso, busco alcançar a síntese e a leveza em cada projeto”, detalha.

Como exemplo desse processo de criação, a designer indica seu ambiente na Casa Cor. Para ela, a mostra é uma grande oportunidade de experimentação e de apresentar novos produtos. O projeto, denominado Living do Enólogo, se baseou na personalidade de uma mulher. “Fui imaginando como seria o trabalho dela e o que seria necessário criar. Pensei também nos momentos de relaxamento, por isso, criei uma cadeira de balanço para leitura; a lareira no centro representa o resgate de se reunir em volta do fogão à lenha ou mesmo do fogo”, explica.

Já para a arquiteta Juliana Vasconcellos, que também é designer, o processo de criação inicia-se com muita pesquisa sobre formas, cores, texturas, artes, peças de mobiliário contemporâneo e de décadas passadas. “Depois estudamos as proporções das formas e combinações de cores e texturas de acordo com as necessidades do projeto”, indica.

No trabalho de Juliana, a característica marcante é o uso de geometria, a combinação de texturas e materiais como metal, pedra e madeira. Para ela, o mais importante é conseguir imprimir personalidade no produto. “E que ele combine com o contexto no qual será inserido”, diz.

Juntamente com o arquiteto Carlos Maia, Juliana trabalhou o ambiente Suíte Presidencial para a Casa Cor Minas Gerais. Para o projeto, produziram móveis que combinassem com a proposta do espaço.