Bandejas na garagem do prédio

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Um paliativo que pode transformar um probleminha em uma grande dor de cabeça

        É comum a construtora, ao receber reclamação do síndico quanto a vazamentos no teto da área de garagem, colocar as chamadas -“bandejas” para evitar que o produto da infiltração caia sobre os veículos estacionados e os danifique. Tal procedimento consiste apenas num paliativo que acaba por esconder as graves consequências do defeito e não atua no foco de forma a resolvê-lo.

Bandejas escondem o verdadeiro problema

        A tubulação de esgoto das unidades passa pelas colunas e teto da área de vagas de garagem para chegarem até a rede pública. Podem ocorrer infiltrações nas tubulações, no pilotis, conforme esclarecimentos do Perito Judicial  José Eduardo Mourão Vorcaro, que podem comprometer a estrutura do prédio, tais como: vazamentos em piscinas, tubulações de filtros, saunas, rede de drenagem, trincas e rachaduras na área do pilotis, decorrentes de movimentação estrutural devido a falta ou deficiência de juntas de dilatação, falhas de projeto,  de impermeabilização, etc.  
        O procedimento de camuflar as goteiras com bandejas impede que aquela água suja, advinda do esgoto dos banheiros e pias das unidades, bem como a carbonatação (precipitação do carbonato de cálcio, ou popularmente chamado de estalactites) caiam sobre os veículos e área de circulação, evitando que pessoas e veículos sejam atingidos. Porém, ao contrário do que dizem as construtoras, configuram-se como um mero paliativo, uma vez que não agem no foco do problema, mas simplesmente ocultam as conseqà¼ências mais graves e aparentes das infiltrações.
        Como as pessoas geralmente só lembram que o problema existe quando a goteira -“pinga” na sua cabeça ou ao encontrar seu carro danificado, ao serem colocadas as bandejas acreditam que o problema foi sanado, sendo que o que ocorre é justamente o contrário.

Infiltrações comprometem a estrutura

        A ação da corrosão causada pelas infiltrações nas estruturas de concreto, se não for reparada a tempo, pode colocar em risco toda a estrutura do prédio.
        Assim, o que parece ser uma simples goteira na laje da garagem pode acabar comprometendo a segurança da edificação de maneira a gerar gastos elevados que irão ocorrer após o prazo de cinco anos de garantia. Depois desse prazo, a construtora que consegui -“convencer” os compradores de que estaria tudo bem, se recusará a cumprir sua obrigação, pois certamente teria consertado de maneira adequada se a Administração do condomínio soubesse como agir.

 

Kênio de Souza Pereira
Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG
Diretor da Caixa Imobiliária – Rede Netimóveis

e-mail: keniopereira@caixaimobiliaria.com.br – tel.  (31) 3225-5599