BAIRROS – Crescimento desordenado ameaça a estrutura do Planalto

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A avenida Dr. Cristiano Guimarães é uma das principais vias da região

Gustavo Lameira

Considerado o melhor bairro do lado Norte da cidade, o Planalto virou região, ponto de referência, e seus limites facilmente se confundem com os dos vizinhos Vila Cloris, Campo Alegre e Itapoã. O crescimento das regionais Pampulha e Venda Nova ocasionou seu loteamento nos anos de 1950 e 1960, em terras que pertenciam à família de Américo Renê Giannetti, ex-prefeito de Belo Horizonte (1950-1954).

A proximidade com o cartão-postal Lagoa da Pampulha e Mineirão; as obras da Linha Verde, e a transferência da sede do Governo mineiro para o Vetor Norte fizeram crescer o comércio local, valorizando ainda mais o Planalto. Alternativas de comércio estão em Venda Nova e novo shopping Estação BH, anexo ao metrô Vilarinho.

A região é bastante verticalizada, e segundo o corretor Sérgio Martins (Campos Imóveis), há pelo menos 20 lançamentos em fase de orçamento.

— O perfil dos moradores do bairro se divide entre família e casais novos. E os imóveis mais procurados por aqui são os que têm área privativa e as coberturas. Um apartamento desses, para aluguel, custa de R$ 1.000 a 1.500. Para venda, 350 mil.

Academia no bairro Campo Alegre foi conseguida através do Orçamento Participativo

De acordo com administração Norte, a boa infraestrutura do Planalto não demanda, há algum tempo, grandes intervenções do poder público. Há um pedido da comunidade para a revitalização do Parque de Vila Cloris, com grande chance de ser atendido por meio do Orçamento Participativo. O resultado do OP 2013/2014 sai no final deste ano. Benefícios recentes nas imediações foram as academias da Cidade e da Terceira Idade (essa última conhecida como academia a céu aberto), ambas instaladas na praça do Campo Alegre. O Planalto está entre duas importantes áreas de preservação ambiental — os parques do Planalto e Lagoa do Nado —, que também funcionam como espaços para o lazer, prática de esportes e atividades culturais.

Outras avaliações

O corretor e DJ Rômulo Gusmão afirma que o Planalto tem boa infraestrutura

Rômulo Gusmão, 30 anos, sempre morou no Planalto, e diz que só sai dali se for pra morar mais afastado, em Lagoa Santa, por exemplo, pra ter mais qualidade de vida. “Aqui tem tudo. Tem o Wall Mart, agora! Tem casa lotérica, correios, tem todos os bancos, menos o meu (Santander); três linhas de ônibus para o centro”, listou.

Em relação à segurança, diz que pessoalmente nunca teve problemas, e que percebe o patrulhamento regular da polícia militar. Mas no trabalho, como corretor de seguros, as estatísticas apontam um número considerável de carros roubados na região, e um maior ainda de acidentes, na maioria das vezes sem vítimas, mas com prejuízos.

“Falta estacionamento na Avenida Doutor Cristiano Guimarães, o centro do bairro. O trânsito ali é ruim, a pista é estreita, os motoristas param em fila em dupla, e isso provoca as batidas. Falta fiscalização da BHTrans”, avalia.

A falta de estacionamentos na avenida Dr. Cristiano Guimarães é um problema do bairro

Como DJ, sua segunda ocupação, Rômulo sente falta de alternativas de entretenimento.

— O bairro se renovou bastante; a gente quase não vê casa velha. Mas precisa modernizar: não tem Pub, não tem boate pra tocar; só tem boteco.

Arnaldo Fernandes Ferreira é presidente do Conselho de Segurança Pública (CONSEP), ligado às associações de bairro da região, à 16ª companhia (13º BPM) e à polícia civil. Segundo ele, o trabalho conjunto apresenta bons resultados. “Há 64 dias não temos registros de ocorrências nas ruas monitoradas”. Mas aponta o crescimento desordenado como um problema para a região.

— A vinda da Cidade Administrativa pra cá foi um erro. Mais uma vez, os governantes não consultaram a população. Por causa disso, o mercado imobiliário da região está inflacionado. Lotes que não valiam nada, agora, o dono pede 500 mil; o valor do aluguel comercial disparou. Isso elevou muito o custo de vida na região e também atrai os bandidos.

Sobre a falta de estacionamento na Dr. Cristiano Guimarães, o presidente concorda que há necessidade de uma reestruturação da via. “Em 2003, a avenida apresentava esse mesmo problema. Daí nos reunimos com a BHTrans e foi criado um estacionamento em 45°, que hoje não suporta mais o movimento”.

Depoimento de Arnaldo Ferreira, presidente do CONSEP da região, sobre o crescimento desordenado
Arnaldo Ferreira é presidente do CONSEP da região

A boa infraestrutura do Planalto, que conforme a regional dispensa grandes obras, na opinião do CONSEP dificulta a aprovação do Orçamento Participativo. “A liderança de bairros mais pobres, como Tupi, São Bernardo e São Tomaz, defendem suas demandas alegando que somos um bairro de ricos e que não precisamos tanto. Mas o Planalto precisa urgentemente de iluminação; precisa de um centro de saúde e de mais uma Unidade de Pronto Atendimento (a UPA Norte fica no 1º de Maio); nossas escolas já estão lotadas, precisamos de mais”, reclama.

Ainda de acordo com o Sr. Arnaldo, pelo menos 800 unidades de imóveis estão em construção nas imediações, o que deve dobrar a população local em dois anos. Questão de honra para a comunidade é preservar a Mata do Planalto.

— A gente se mobilizou e aquele projeto pra construção de 11 torres, de 15 andares cada uma, está embargado. A mata é o pulmão do bairro; são várias nascentes, espécies de fauna, flora… Não vamos desistir. Vinte e uma associações de bairro, e diversas entidades ecológicas estão nos apoiando. Não estamos sozinhos nisso.