Animal em apartamento?

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A aposentada Marlúcia Menezes de Mattos, 76 anos, mora sozinha há dez anos, desde que a filha Adriana se casou e foi morar na Nova Zelândia.Apesar da constante assistência dos parentes -” irmãos e sobrinhos -” Marlúcia enfrentava diariamente uma solidão que a leitura dos livros de Agatha Christie, o tricô e as novelas não conseguiam mais preencher.
Aí começaram as intermináveis visitas ao médico. Dores que nunca havia sentido, resolveram aparecer. O pior foi quando surgiram os primeiros sintomas da depressão.

 Um dia recebeu o conselho de uma amiga, também aposentada, que havia passado pelo mesmo problema: -“Por que você não compra um cachorro?”.

Marlúcia relutou -” -“cachorro em apartamento?”. Pensou nos móveis, no barulho, nas possíveis reclamações da vizinhança… Acabou se lembrando que a convenção do condomínio tinha uma cláusula que proibia animais nos apartamentos. Marlúcia pediu ajuda a uma sobrinha, que tinha uma amiga advogada. E esta não era nada flexível: -“quando a senhora adquiriu esse imóvel, se vinculou à  convenção do condomínio e observar a convenção é uma obrigação de todos que moram aqui”. Desistir? Nada disso, a sobrinha tinha outra amiga, que também era advogada, e que via a questão com outros olhos.

-” -“Se o cachorro não late alto, não produz mau cheiro, não circula em áreas comuns e não é uma ameaça aos moradores, não vejo problema”, disse a advogada Rosilene Ribas, que aconselhou Marlúcia a comprar o cachorro adequado, seguindo as orientações de um especialista. Antes disso, algumas providências foram tomadas. Foi preparada uma ação judicial acompanhada do relatório de um veterinário, comprovando que o cão não era portador de nenhuma doença infecto-contagiosa e que seu cartão de vacinação estava rigorosamente em dia. Marlúcia conseguiu. O cachorro trouxe alegria, companhia, um novo motivo pra viver

Assunto é polêmico, mas…

Em casos de pessoas idosas ou de crianças, a maioria dos juízes dá ganho de causa em favor dos donos de animais, por entender que, muitas vezes, os bichos cumprem uma função afetiva importante na vida destas pessoas. Mas, para que isso aconteça, é preciso tomar alguns cuidados.

Càes -“ É necessário que o animal seja -“bem educado”. Ou seja, ele deve ser condicionado a não defecar ou urinar no elevador, nos corredores, na garagem ou no playground. Se o dono tiver dificuldades, deve recorrer aos serviços de um adestrador. As fezes e a urina devem ser eliminadas quantas vezes for necessário, a fim de evitar o mau cheiro e a proliferação de insetos. As pet shops dispõem de kits especiais para acondicionamento desse tipo de dejetos.

Gatos -“ São animais silenciosos, que se adaptam bem à  vida em apartamento, dependendo da raça, mas, para muitos veterinários, não são a melhor opção em termos de animal doméstico. Gatos podem provocar alergias através da glucoproteína Fel d1, presente na saliva e nos pelos -” começa com simples espirros, mas pode evoluir para gravíssimos ataques de asma. Pior mesmo, só a Toxoplasmase, causada por um protozoário que tem no gato seu hospedeiro favorito. A atriz Mirian Pires, da Rede Globo de Televisão, criadora de gatos, morreu dessa doença.

Aves -“ Há diversos casos em que pessoas que criavam aves exóticas, como maritacas ou até mesmo papagaios, foram parar na justiça, vítima da intolerância dos vizinhos e, também da fiscalização do IBAMA, que não é nada tolerante com quem cria este tipo de animal. No caso de pássaros canoros, a advogada Rosilene Ribas aconselha bom senso nas negociações com a vizinhança: -” -“Quem é que não gosta de ouvir um canário ou um curió?”. Vale lembrar que, nesse caso, dependendo do pássaro, o criador precisa ter uma licença especialmente concedida pelo IBAMA. O jornalista Edison Rios Jr., criador credenciado pelo IBAMA, aconselha cautela na escolha do pássaro: -“maritaca realmente não dá; tem um grito estridente, pode assustar, mas sempre criei pássaros e nunca tive problemas com vizinhos”.

Repteis e roedores -“ Estes são a verdadeira maioria silenciosa. É cada vez maior o número de crianças que adotam camundongos (hamsters) como animais de estimação, da mesma forma que vem crescendo o número de jovens que cria lagartos parecidos com iguanas. Nesses casos, como dificilmente o síndico vai descobrir, importa mais a opinião do veterinário, pois são animais que podem transmitir doenças. Cobras? Nem pensar! O fotógrafo Glauber Campos foi parar na polícia depois que um vizinho descobriu que ele criava uma jibóia chamada -“Sofia”.