AMAR-SE É:

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AMAR-SE É - Crônica por Eustáquio Trindade• Falar palavrão toda vez que der vontade (Mandar político pra aquele lugar, então, tem tudo a ver);

• Quando, num boteco, ouvir alguém falando mal dos políticos, entrar na conversa e (mesmo sem ser convidado) falar mais mal ainda, principalmente se for a Câmara Municipal de Belo Horizonte (kkkkkkkkkkkkkkk…. kkkkkkk… parei, porque tô morrendo de rir, “nossa” câmara já virou piada internacional);

• Tirar o som da TV quando o Galvão Bueno entrar;

• Tirar o som da TV toda vez que o Galvão Bueno ameaçar entrar e gritar com um puta megafone: “O Meu ouvido não é pinico” (eu sei que é ‘penico’, mas pinico é mais da gente, né não?);

• Comer um pastel na Galeria do Ouvidor;

• Falar assim: “Fecharam a Livraria Eldorado e ninguém faz nada?” – mesmo sabendo que ninguém vai fazer porra nenhuma, porque, pra muita gente, uma lanchonete no lugar de uma livraria é melhor para a economia, dá mais emprego;
• Ter uma graninha sobrando pra pagar um táxi durante a greve dos ônibus;

• Admitir com a cara vermelha de vergonha e um sorriso amarelo, quando o rapaz dinamarquês que veio fazer intercâmbio na casa do seu irmão lhe diz que já ouviu falar em corrupção, mas que aqui as coisas ultrapassam qualquer ficção, em vez de ficar falando que todo lugar tem corrupto;

• Admitir que não tem poderes, mas que gostaria de ter para fazer sumir a CORJA que, do congresso (com “c” minúsculo mesmo), comanda a corrupção;

• Sonhar que vai poder entrar na Câmara dos Deputados e gritar bem alto: “vocês são uns bosta!”;

• Tentar viabilizar um conjunto de pagode pra cantar nas câmaras e congressos, com um coral de um trilhão de vozes: “Se gritar ‘Pega Ladrão’, não fica um, meu irmão”;

• Mandar um abraço pros Mamonas Assassinas e dizer que ainda morre de rir quando escuta “Lá vem o Alemão” e que foram eles os responsáveis por ter livrado as crianças brasileiras da ditadura da Xuxa e da Angélica;

• Chorar de vergonha toda vez que olhar pra Brasília, porque isso mostra que você tem vergonha na cara;

• Chorar de vergonha quando ouvir certas palavras, tipo: vereador, deputado, deputado federal, senador, desembargador, bicheiro, traficante, cara que trampa em milícia…

• Mesmo assim, mas mesmo assim mesmo, levar o Brasil aonde você for, porque o Brasil é seu, é da gente, e não desses bostas;

• Pensar, pensar, pensar e pensar que não tem jeito, mas, mesmo assim, lá no fundo, bem lá no fundo, achar que vai ter jeito, sim. E aí, protestar na Praça Sete ou em que praça for;

• Sacar que o sonho não acabou; mais, que o mundo é dos que sonham, mas é mais inda dos que lutam pro sonho virar verdade.

• Pra Regina Lúcia. A luta continua!

Eustáquio Trindade Netto é jornalista e professor de jornalismo.

  • Maria Cecília

    Não deixar de acreditar! Eu acredito em você!!