Acessibilidade na construção é bom negócio

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A experiência confirma a ideia de que o vizinho, muitas vezes, é o parente e amigo mais próximo
A experiência confirma a ideia de que o vizinho, muitas vezes, é o parente e amigo mais próximo
Milhares de clientes desejam um apartamento que tenha acessibilidade

Kenio - BonecoA acessibilidade pode ser um bom negócio para as construtoras. O constante crescimento da expectativa de vida no Brasil, que conforme dados do IBGE de 2014, superou 75,2 anos, tem aumentado a população de idosos, que até 2050 terá dobrado. Os cidadãos com dificuldade de locomoção que representam 25% da população, incluindo idosos, grávidas e obesos necessitam de edificações com melhor acessibilidade. Diante desse quadro, causa estranheza a ausência de um edifício com vários ou todos os apartamentos destinados aos portadores de necessidades especiais.

As regras atuais que exigem das construtoras adaptações específicas em apenas algumas unidades do prédio não são eficazes, porque complicam a construção em geral e acarretam custos, sem retorno para a maioria dos adquirentes que não precisam dessas alterações. E uma reforma em prédios antigos para adaptá-lo, às vezes, se mostra inviável. Somente as
grandes cidades do país que possuem uma regulamentação específica para aprovação projetos de construção com as regras previstas na norma ABNT 9050:2004, que fornece todas as orientações e critérios técnicos para que o imóvel tenha a acessibilidade adequada.

Pelo visto é ignorado que um edifício que tenha como foco a acessibilidade, em especial nas áreas de lazer e de circulação, pode ter seus apartamentos mais valorizados do que as unidades comuns, diante do fato de uma parcela de compradores desejar mais conforto, independência. É inevitável as pessoas envelhecerem e normalmente essas, que em muitos casos são as detentoras da renda familiar, desejarão ter uma condição de locomover sem ter que depender dos outros.

Diante dessa realidade, os construtores devem procurar eliminar os desníveis dos locais de entrada, corredores e áreas de lazer tornando o percurso no interior da edificação mais fácil, livre de obstáculos, criando uma superfície que evite derrapagens e trepidações.

Mercado promissor
Esse importante segmento social busca residir em apartamentos que oferecem mais conforto, independência e mobilidade aos cadeirantes, obesos, deficientes visuais e demais pessoas que tenham alguma dificuldade. Mas, a falta de percepção tem feito os empresários ignorarem que qualquer filho ficaria feliz em poder oferecer aos seus pais uma moradia onde estes pudessem passar a cadeira de rodas sem “lutar” com os marcos de portas estreitas, que pudessem ir ao banheiro sozinhos, que tivessem pisos antiderrapantes e corrimãos apropriados para evitar quedas e janelas mais baixas para contemplar a paisagem. Da mesma forma, os pais de filhos com dificuldade de locomoção fazem de tudo para facilitar a convivência e desenvolvimento, mas a falta de edifícios voltados para esse segmento ávido
por um produto diferenciado torna um desafio encontrar um apartamento adequado para comprar ou alugar.

Causa estranheza que esses compradores e inquilinos, com bom poder aquisitivo e dispostos a ter mais conforto e independência, não consigam encontrar edifícios aptos a atendê-los. Muitos fariam tudo para proporcionar maior acessibilidade ao seu querido familiar que sofreu um AVC, problema de coluna, visão ou queda. Todos nós, se não ocorrer nenhum acidente de
percurso, provavelmente daqui a algumas décadas necessitaremos de uma moradia sem obstáculos, que nos dê segurança ao nos movimentarmos sem termos que pedir ajuda, pois temos direito de manter nossa autonomia e liberdade facilmente obtidas com pequenas adaptações que em nada atrapalham os demais moradores.

Custo X benefício
Muitos negócios seriam concluídos se o apartamento possuísse adaptações que custam muito pouco, mas que são preciosas para aqueles que desejam melhor mobilidade, segurança e independência. Cabe aos construtores analisar que um edifício com unidades com portas mais amplas, sem degraus, com apoios e corrimãos apropriados, banheiros amplos que propiciassem mais conforto e privacidade, seria um grande avanço e um ótimo
negócio para a construtora. Tal obra poderá ser gratificante, lucrativa e demonstrar que nossa sociedade evoluiu, se tornou mais inclusiva, fraterna e digna.

Kênio de Souza Pereira
Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG
Diretor da Caixa Imobiliária Netimóveis
Conselheiro da Câmara do Mercado Imobiliário de MG e do Secovi-MG.
keniopereira@caixaimobiliaria.com.br – Tel.(31) 3225-5599.
www.keniopereiraadvogados.com.br

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Kênio de Souza Pereira Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG Diretor da Caixa Imobiliária Netimóveis – BH-MG Conselheiro da Câmara do Mercado Imobiliário e do SECOVI-MG Representante em MG da Associação Brasileira de Advogados do Mercado Imobiliário Árbitro da Câmara Empresarial de Arbitragem de MG (CAMINAS) e-mail: keniopereira@caixaimobiliaria.com.br – tel. (31) 3225-5599.