Acabamentos: Vidro, alvenaria e madeira

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O uso do concreto aparente, tosco, quase sem acabamentos, é uma das tendências mais fortes da arquitetura norte-americana.A informação é da decoradora Juliana Beiral, que passou seis meses nos Estados Unidos, viajando pela Califórnia, Arizona e Novo México.Nos Estados Unidos, Juliana fez dois cursos e trabalhou com a decoradora Lindsay Wiest, que tem um ateliê nas imediações de Phoenix, no Arizona, e assistiu vídeos de James Cutley, um dos papas da moderna arquitetura norte-americana.

 -” A tendência é o despojamento: alvenaria, vidro e madeira. Tijolos de concreto, grandes, que recebem um acabamento especial, reforçando a ideia do despojamento, da rusticidade. As paredes são nuas, sem quadros ou qualquer outro tipo de adereço. O uso da madeira e do vidro se impõe para que o contato com a natureza se dê por inteiro -”, afirma.

 Segundo Juliana, a tendência se tornou mais forte depois que o arquiteto James Cutley desenvolveu um projeto para ninguém menos que Bill Gates. -“Mas, ao contrário do que muita gente pode pensar, Gates não pediu uma casa suntuosa”, afirma a decoradora, -“pediu uma casa confortável, prática, com um ar de rusticidade que se traduzisse em aconchego”. A casa em questão se situa à  margem de um imenso jardim, e é destinada a hóspedes.

 Nessa tendência, as paredes de alvenaria ganham o reforço de vigas em eucalipto, que também recebem tratamento especial. É um projeto que pede poucos objetos. -“E nada de brilhos ou excessos, não há espaço para objetos rebuscados”, avisa Juliana. -“O ideal é trabalhar com peças com aspecto mais rústico, como latão, estanho, o ferro envelhecido, bronze ou cerâmicas, para compor um visual mais clean”, aconselha. Os móveis acompanham a tendência. São amplos, com almofadas grandes, em tecidos claros, de preferência em fibras naturais, algodões rústicos e resistentes. -“Há certa virilidade nesse visual”, comenta Juliana, lembrando que se trata de uma tendência que veio para ficar, pois -“não se espelha em modismos”. Para ela, no Brasil, esse estilo de decoração ainda enfrenta alguma resistência, mas já há jovens decoradores que preferem trabalhar com projetos que excluem o que chama de -“entulho nouveau riche”.

-” Basta de candelabros e sopeiras de porcelana!

-“Ninguém aguenta mais uma casa cheia desses badulaques”, avisa Juliana, lembrando que –o mais correto é optar por uma decoração limpa, que preserve os espaços e a luz”.

O ar de despojamento é tanto que, segundo Juliana, em alguns pontos das casas, o acabamento das paredes deixa os tijolos totalmente descobertos, para que até seus furos possam ser usados. -“São ótimos para guardar essas pequenas coisas que são úteis no dia-a-dia, como tesouras, canetas, bloquinhos de anotações, clipes, colas em bastão, enfim, essas coisas práticas, que todo mundo sempre usa”. O artesanato volta com força, das gamelas de madeira pintadas à  mão aos potes de cerâmica do Vale do Jequitinhonha, que podem ser usados como cachepôs.