A falta de limite no valor dos imóveis

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É obrigatória em qualquer tipo de venda de imóvel na planta, que a construtora convoque a assembleia para instalar a Comissão de Representantes
É obrigatória em qualquer tipo de venda de imóvel na planta, que a construtora convoque a assembleia para instalar a Comissão de Representantes

kenioNos últimos quatro anos temos visto uma escalada no valor dos imóveis, que tem surpreendido a todos e superado de longe as aplicações financeiras e até a Bolsa de Valores. A aplicação em imóveis tem a vantagem de ser mais segura, pois está isenta de -“quebras de bancos” ou de crises das bolsas.  Tornou-se comum verificarmos que a maioria dos terrenos na Capital subiu entre 100 a 300% em apenas dois anos, havendo situações de altas em torno de 600% nos últimos quatro anos. Nem em São Paulo ou Brasília ocorre essa situação.

Quanto maior a área do terreno, sua parte frontal e coeficiente de aproveitamento, quanto mais plano e bem localizado, melhor será seu valor de mercado. Mas, certamente, há um limite de preço, pois o construtor sabe que o apartamento, sala ou loja que vier a construir terá um comprador que obviamente pesquisa o valor de mercado e que tem determinada capacidade de pagamento, pois este não tem -“um pé de dinheiro ou uma mina de ouro” com recursos ilimitados. A renda ou salário de um comprador tem limitações, não sendo possível assumir custos acima da sua capacidade financeira mesmo que seja mediante um financiamento. E, em terceiro lugar, ao analisar a compra de um imóvel comercial, o comprador pensa se o desembolso financeiro compensará se comparado a outro negócio.

Sem lógica

Recentemente, vimos nos bairros Funcionários, Lourdes e Santo Agostinho vendedores pedindo até R$10 mil pelo m² do terreno, que valia há dois anos R$3 mil o m². Há construtora de primeira linha negociando o m² de apartamento por R$8.500,00 na planta, ou seja, se tem 3 quartos com 120m², sai por mais de R$ 1 milhão! Essa falta de lógica tem sido praticada também noutras regiões, como Santa Inês, Venda Nova, Pampulha, enfim, em toda Belo Horizonte e seu entorno.  Não há como essa especulação perdurar por muito mais tempo, mesmo que o crédito imobiliário esteja abundante, os juros baixos e as aplicações financeiras desinteressantes. Não há capacidade financeira dos compradores para arcarem com tanta especulação.

Há boa demanda pela construção de hotéis, negócios altamente rentáveis, capazes de pagar pelo terreno mais que outros ramos. Mas, diante da ilógica do mercado, estimulada por corretores de imóveis e por vários construtores que adquirem um terreno como se fosse o último da face da terra, vemos que até dono de hotel tem dificuldade para viabilizar seu empreendimento em Belo Horizonte. Diante do crescimento da oferta poderá ocorrer equilíbrio, mas a falta de terrenos continuará a ser um elemento de pressão.

Kênio de Souza Pereira
Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG

Diretor da Caixa Imobiliária – Rede Netimóveis
Colunista de Direito Imobiliário da Rádio Justiça do Supremo Tribunal Federal  (www.radiojustica.jus.br) toda quarta-feira 09:30h
Consultor Jurídico do SECOVI-MG – Sindicato do Mercado Imobiliário de Minas Gerais Representante em MG da ABAMI – Associação Brasileira de Advogados do Mercado Imobiliário
Conselheiro e Consultor Jurídico da CMI-MG – Câmara de Mercado Imobiliário de MG
Árbitro da CAMINAS – Câmara Mineira de Arbitragem de MG

Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG

Professor do MBA do Mercado Imobiliário da FEAD-MG
e-mail: keniopereira@caixaimobiliaria.com.br – tel.  (31) 3225-5599. 

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Kênio de Souza Pereira Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG Diretor da Caixa Imobiliária Netimóveis – BH-MG Conselheiro da Câmara do Mercado Imobiliário e do SECOVI-MG Representante em MG da Associação Brasileira de Advogados do Mercado Imobiliário Árbitro da Câmara Empresarial de Arbitragem de MG (CAMINAS) e-mail: keniopereira@caixaimobiliaria.com.br – tel. (31) 3225-5599.